Taxas de crédito sobem em abril: retomada modesta mantém expansão dos empréstimos na Itália
Taxas de crédito sobem em abril na Itália; empréstimos crescem 2,7% e créditos deteriorados caem para €26,9 bi, segundo a ABI.
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Taxas de crédito sobem em abril: retomada modesta mantém expansão dos empréstimos na Itália
Por Stella Ferrari — O custo do crédito na Itália registrou um ligeiro avanço em abril, numa movimentação que lembra a calibragem fina de um motor: pequena alteração, impacto perceptível na performance do sistema financeiro. Segundo o relatório mensal da Associação Bancária Italiana (ABI), o tasso médio sobre as novas operações para aquisição de habitação ficou em 3,43%, uma alta de 6 pontos base em relação ao mês anterior — ainda significativamente abaixo dos 4,42% registrados em dezembro de 2023.
A tendência de alta atingiu todo o universo dos empréstimos. O tasso médio total dos financiamentos subiu para 4,02% (+3 pontos base no mês), enquanto o juro médio nas novas operações de financiamento a empresas alcançou 3,62%, com um incremento de 24 pontos base frente ao mês anterior. Em comparação, o indicador estava em 5,45% em dezembro de 2023, o que evidencia a variabilidade dos patamares ao longo do último ano.
Apesar do aperto nas taxas de juros, a demanda por crédito não desacelera. Em abril, o montante de empréstimos a empresas e famílias cresceu 2,7% em termos anuais, mantendo a taxa observada no mês anterior e consolidando a fase de expansão iniciada em março de 2025. Para as famílias, trata-se do décimo sexto mês consecutivo de crescimento; para as empresas, do décimo mês seguido de expansão. Como comparação, em março os empréstimos às famílias haviam subido 2,7% e aos empresários 2,8%.
Em paralelo à elevação das concessões, houve uma melhora na qualidade do crédito. Em março, os créditos deteriorados líquidos — que incluem as situações de sofferenze, probabilidade de incumprimento e exposições vencidas ou em descoberto, calculadas após provisões — caíram para 26,9 bilhões de euros, ante 27,7 bilhões em dezembro de 2025 e 31,3 bilhões em dezembro de 2024. Esse quadro representa uma redução superior a 169 bilhões de euros em relação ao pico de 196,3 bilhões alcançado em 2015.
A ABI ressalta que, em março, os créditos deteriorados líquidos corresponderam a 1,28% do total de créditos, em queda frente a 1,32% em dezembro de 2025, 1,51% em dezembro de 2024 e 9,8% em dezembro de 2015 — indicadores que reforçam a trajetória de desalavancagem e melhoria do balanço bancário.
No front da captação, os dados de abril mostram aumento da captação direta (depósitos de clientes residentes e obrigações) em 2,9% ano a ano, continuando a dinâmica positiva presente desde o início de 2024 (+2,6% em março). Especificamente, os depósitos avançaram 2,7% (vs. +2,5% em março) e a captação por meio de obrigações de médio e longo prazo cresceu 4,1% (ante +3,5% no mês anterior).
A captação indireta — investimentos em títulos custodiados pelos bancos — registrou um aumento de 98,8 bilhões de euros entre março de 2025 e março de 2026. Deste montante, 42,8 bilhões são atribuíveis às famílias, 16,5 bilhões às empresas e o restante a outros setores, como instituições financeiras e seguradoras. Em resumo, o sistema segue com robustez estrutural, onde a aceleração de certas taxas convive com melhora na qualidade dos ativos e crescimento equilibrado da poupança e do crédito.
Do meu ponto de vista estratégico, como quem avalia um painel de controle de alta performance, estamos diante de uma economia onde os freios fiscais e a calibragem dos juros funcionam como elementos de ajuste: elevam o custo marginal do crédito, sem frear a demanda por financiamento. É um cenário que exige atenção de investidores e conselhos de administração — especialmente na gestão do risco e na alocação de capital, onde precisão e design de políticas caminham lado a lado.