UE aprova regras que obrigam inclusão da bagagem de mão na tarifa e ampliam direitos dos passageiros
UE aprova novas regras: bagagem de mão incluída na tarifa e direitos dos passageiros reforçados; low-cost terão que ajustar tarifas e políticas.
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UE aprova regras que obrigam inclusão da bagagem de mão na tarifa e ampliam direitos dos passageiros
Por Stella Ferrari — Em um movimento que pode recalibrar o modelo de receitas das low-cost, Ryanair, EasyJet e outras companhias aéreas de baixo custo terão de rever suas tarifas. O Comitê de Conciliação da UE aprovou definitivamente o novo regulamento de proteção aos direitos dos passageiros aéreos, abrindo caminho para que o Conselho da União e o Parlamento Europeu confirmem o acordo — com votação plenária prevista para julho.
Do ponto de vista prático, uma das confirmações mais relevantes mantém as regras de compensação por atrasos: as companhias deverão indenizar passageiros após três horas de atraso (e não quatro, como originalmente proposto pelo Conselho), com valores entre €250 e €600, conforme a distância do voo. Essa é a calibragem técnica que protege o passageiro sem travar o motor da aviação com custos desproporcionais.
Por outro lado, a verdadeira aceleração normativa está nas disposições sobre bagagem de mão. O texto exige que as empresas incluam a bagagem no preço base ofertado ao passageiro, ou, alternativamente, proporcionem uma opção mais barata para quem optar por viajar apenas com um pequeno item pessoal, como uma bolsa ou mochila. Em termos de design de políticas, isso exige uma reengenharia das tarifas e da comunicação comercial, com clareza sobre o que está ou não incluso no bilhete.
As novas regras introduzem ainda proteções robustas contra práticas de no-show, com atenção especial a passageiros em situação de vulnerabilidade: pessoas com mobilidade reduzida, gestantes e menores desacompanhados terão salvaguardas ampliadas, incluindo assistência prioritária, direito à reprogramação com assentos garantidos junto a acompanhantes ou familiares, e compensações no caso de assistência inadequada. Equipamentos de mobilidade receberão garantias adicionais de tratamento e reembolso em caso de danos ou falhas no atendimento.
Em termos operacionais, o regulamento obriga as companhias a buscar ativamente alternativas rápidas e justas de reprogramação, inclusive com outros transportadores, permitindo também que passageiros organizem autonomamente sua reacomodação quando necessário. Serão estabelecidos prazos claros para o processamento de pedidos de ressarcimento e regras mais rigorosas sobre o uso de vouchers.
Quanto aos bagagens, os direitos são ampliados: instrumentos musicais poderão ser transportados na cabine em condições adequadas e há garantias reforçadas para pertences pessoais. Também há medidas para proteger passageiros que perdem voos de conexão e direitos de compensação em casos de rebaixamento de classe.
Outros pontos incluem requisitos de planejamento de emergência aeroportuária para melhorar a assistência em cenários de disrupção; canais de comunicação eficientes e gratuitos entre passageiros e companhias; correção gratuita de erros de nome nos bilhetes; e a possibilidade de viajar sem a obrigação de usar aplicativos ou criar contas online. Finalmente, a legislação reforça o dever de informação clara sobre os direitos relacionados às tarifas e opções de bagagem oferecidas.
Essa reforma representa uma mudança estrutural no equilíbrio entre empresas e passageiros: é uma calibragem cuidadosa que busca aumentar a transparência e a proteção sem paralisar a eficiência do setor. Para as low-cost, trata-se de um ajuste fino na engenharia tarifária — um retoque no chassi dos modelos de receita que exigirá decisões rápidas de preço, comunicação e operação.
Enquanto aguardamos o voto em plenário, empresas e consultorias precisam afinar seus cenários econômicos e operacionais. Como numa oficina de alta performance, a adoção destas medidas exigirá precisão, testes e ajustes constantes para manter o equilíbrio entre serviço, custo e retorno.