Wired Italia encerra operações após 15 anos por baixa rentabilidade; Condé Nast comunica corte a funcionários
Wired Italia fecha após 15 anos por baixa rentabilidade; Condé Nast anuncia fechamento de Wired, Glamour e Self e redireciona investimentos.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Wired Italia encerra operações após 15 anos por baixa rentabilidade; Condé Nast comunica corte a funcionários
Por Stella Ferrari — 19 de abril de 2026
O Wired Italia anunciou seu encerramento após 15 anos de atividade, decisão comunicada pelo grupo Condé Nast aos funcionários por e‑mail na sexta‑feira, 19 de abril — coincidindo com o dia de paralisação dos jornalistas. A medida atinge também as edições locais de Glamour e Self, num reposicionamento estratégico que busca redeployar recursos para projetos com maior potencial de retorno.
Em comunicado oficial, o CEO Roger Lynch justificou o movimento com a necessidade de corte de publicações cuja rentabilidade não se mostra suficiente mesmo diante de um crescimento do grupo em 2025. Segundo a nota, manter essas marcas na configuração atual poderia frear a aceleração de tendências e reduzir a capacidade de investir em iniciativas mais promissoras — uma recalibração de portfólio que é mais alocação de capital do que um juízo sobre a qualidade editorial.
O grupo destacou que a marca Wired continua robusta em nível global, com desempenhos mais fortes em mercados como Estados Unidos, Reino Unido, Japão, Oriente Médio e México. A versão italiana, entretanto, não conseguiu acompanhar esse ritmo, abrindo um gap de performance que foi decisivo para a decisão corporativa.
Fundado originalmente nos EUA em 1993, o Wired italiano estreou em março de 2009 com um projeto híbrido de revista impressa e plataforma digital. Sua primeira fase editorial teve cadência mensal e enfoques em tecnologia, inovação e cultura digital: o número de lançamento trouxe Rita Levi‑Montalcini na capa e uma entrevista assinada por Paolo Giordano, sob a direção inaugural de Riccardo Luna.
Ao longo dos anos, a direção editorial foi conduzida por nomes como Carlo Antonelli, Massimo Russo, Federico Ferrazza e, mais recentemente, Luca Zorloni. A redação também passou por momentos de compressão, notadamente em 2015, quando sofreu cortes significativos. A forma como a notícia foi transmitida — por e‑mail minutos antes da divulgação pública e sem sinais tangíveis nas semanas anteriores — suscitou críticas e desconforto entre profissionais, apontando para falhas na comunicação interna.
Do ponto de vista macroeconômico e de gestão de portfólio, esta decisão espelha uma calibragem típica em momentos de consolidação: cortar linhas de baixa margem para redirecionar investimento aos motores com maior torque de crescimento. Para o mercado editorial italiano, resta agora avaliar como preservar o legado editorial e as competências da equipe diante de uma transição que combina desenho de políticas corporativas e pressões de mercado.
Enquanto isso, leitores e ex‑colaboradores acompanham os desdobramentos, e o setor observa o movimento como um termômetro sobre a viabilidade de modelos editoriais híbridos num ambiente onde a rentabilidade dita a velocidade das decisões.
Stella Ferrari é economista sênior e estrategista de mercado da Espresso Italia. Sua análise alia visão macro e sensibilidade ao design de políticas empresariais.