Fabrizio Moro vence a estreia de Canzonissima com 'Il mio canto libero'
Fabrizio Moro vence a primeira edição de Canzonissima com 'Il mio canto libero' de Lucio Battisti; revival de Milly Carlucci retorna após 50 anos.
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Fabrizio Moro vence a estreia de Canzonissima com 'Il mio canto libero'
Canzonissima, o revival do grande formato italiano apresentado por Milly Carlucci, voltou à tela e já mostrou seu tom: na primeira de seis noites, a vitória coube a Fabrizio Moro com uma interpretação sentida de Il mio canto libero, clássico de Lucio Battisti. O programa, que retorna após 50 anos, instalou-se como um espelho das memórias coletivas e das leituras contemporâneas do repertório italiano.
A disputa foi acirrada: todas as outras performances empataram em segundo lugar, em um resultado que revela a dificuldade de hierarquizar canções tão enraizadas no imaginário. Entre elas estavam Enrico Ruggeri com “Lontano dagli occhi” (Sergio Endrigo), Leo Gassmann com “Un giorno credi” (Edoardo Bennato), Michele Bravi em “Ti lascio una canzone” (Ornella Vanoni), Fausto Leali cantando “Pregherò” (Adriano Celentano), Malika Ayane com “Città vuota” (Mina), Irene Grandi em “Mi ritorni in mente” (Lucio Battisti) e Elettra Lamborghini interpretando “Bella vera” (883).
O sistema de votação misturou crítica e público, numa coreografia que reforça o caráter coral do programa: a escolha da ‘canzone regina’ passou pela avaliação da bancada de jurados — os chamados magnifici sette (Riccardo Rossi, Claudio Cecchetto, Caterina Balivo, Francesca Fialdini, Pierluigi Pardo, Giacomo Maiolini e Simona Izzo) —, pelos próprios concorrentes e pela audiência em casa, que participou via redes sociais. É um formato que aponta para o roteiro oculto da sociedade: decidir coletivamente qual memória sonora merece reemergir.
Como em todo grande varietà, a noite trouxe convidados de destaque. O ator Claudio Santamaria subiu ao palco com uma versão pessoal de um tema de Adriano Celentano, enquanto Rocco Papaleo e Claudia Pandolfi fizeram um dueto sobre “Quando, quando, quando”, resgatando a melodia como um objeto afetivo compartilhado.
Já confirmada para entrar em cena na segunda edição, Arisa — nascida Rosalba Pippa — prometeu trazer um repertório íntimo: “Sicuramente porterò delle canzoni che hanno significato qualcosa per il mio percorso umano…”, disse, antecipando um movimento programático do show: não apenas rememorar, mas reinterpretar como lições de vida.
O retorno de Canzonissima funciona, assim, como um reframe da história musical italiana: ao invés de uma simples antologia, o programa opera como uma semiótica do revival, onde cada intérprete reescreve, com suas vozes e escolhas estéticas, o significado dessas canções para o presente. Vencer a primeira noite é, para Fabrizio Moro, mais do que um troféu: é ocupar um lugar no espelho coletivo do nosso tempo.


