Jared Leto é acusado por 10 mulheres de condutas sexuais com adolescentes; BBC lança documentário

Documentário da BBC reúne 10 denúncias contra Jared Leto por conduta sexual com adolescentes entre 2002 e 2016; ele não respondeu às acusações.

Jared Leto é acusado por 10 mulheres de condutas sexuais com adolescentes; BBC lança documentário

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Jared Leto é acusado por 10 mulheres de condutas sexuais com adolescentes; BBC lança documentário

Por Chiara Lombardi — Um novo documentário da BBC trouxe à luz alegações graves contra o ator e músico Jared Leto. Ao todo, 10 mulheres deram depoimentos ao filme "Jared Leto: Hollywood's Dark Secret", nove delas falando publicamente pela primeira vez sobre episódios que teriam ocorrido quando eram adolescentes, entre 2002 e 2016, período em que Leto tinha entre 30 e 40 anos. Hoje, o artista tem 54 anos.

As denúncias relatam um padrão que, em seu conjunto, funciona como um espelho perturbador do poder e da fama: várias jovens relatam ter sido alvo de avanços e comportamentos sexualizados, telefonemas de teor sexual e encontros em que se sentiram coagidas ou vulneráveis.

Uma das mulheres descreve ter sido agredida sexualmente no banheiro de um motel aos 17 anos. Outra relata que, aos 19, se viu sozinha com o ator em um quarto de hotel e foi ameaçada com violência sexual. Uma terceira testemunha narra um contato sexual em solo californiano aos 17 anos, situação que, segundo os relatos, configura estupro de menor, e afirma que Jared Leto teria minimizado a importância da idade de consentimento no estado, fixada em 18 anos.

Outra jovem afirma que, aos 16 anos, foi assediada por ligações repetidas de teor sexual e até proposta para manter relação íntima. Posteriormente, teria recebido uma proposta de acordo de confidencialidade (NDA) para não falar sobre o relacionamento com o artista — acordo que ela afirma ter recusado; a BBC diz ter tido acesso ao documento.

Além desses casos, quatro outras mulheres relataram ter recebido telefonemas estranhos e sexualizados de Jared Leto quando eram mais jovens. Em um episódio particularmente inquietante, uma mulher conta que, aos 14 anos, o ator teria feito um comentário obsceno sobre seu peito durante uma sessão de autógrafos e, em seguida, solicitado a um segurança que a levasse para o backstage de um festival.

Dois homens que trabalharam por anos com a banda de Leto também aparecem no documentário para dizer que o staff frequentemente se sentia desconfortável com a forma como o artista interagia com adolescentes, convidando algumas para o backstage, para seu camarim ou até para sua casa, onde estava gravando.

As mulheres afirmam ter se encontrado com o ator em momentos que vão de 2002 a 2016. Apesar dos repetidos esforços da equipe da BBC para contatar Jared Leto, ele não respondeu às acusações apresentadas no documentário.

Como analista cultural, não vejo apenas relatos isolados: há aqui o roteiro oculto de uma indústria em que a fama atua como moeda de troca e a vulnerabilidade jovem vira cenário de exploração. O que essas histórias revelam é o eco cultural de um sistema que naturaliza a desigualdade de poder entre celebridades e adolescentes. Mais do que buscar culpados, cabe à sociedade compreender por que esses padrões persistem e como as instituições — do entretenimento à justiça — podem romper o ciclo.

O documentário e os depoimentos colocam em foco não apenas um nome famoso, mas a semiótica do viral e do sigilo que acompanha a celebridade: acordos de confidencialidade, silêncio e a sensação de impunidade que, segundo uma das relatos, perdurou por décadas. No espelho desse caso, interessa-nos perguntar: que narrativa moral queremos que a cultura do entretenimento escreva daqui pra frente?