Massimiliano Gallo denuncia silêncio e medo: “Não podemos calar palavras como paz, Gaza ou genocídio”

Massimiliano Gallo critica o silêncio do setor cultural sobre Gaza, paz e genocídio e defende o papel engajado do artista no debate público.

Massimiliano Gallo denuncia silêncio e medo: “Não podemos calar palavras como paz, Gaza ou genocídio”

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Massimiliano Gallo denuncia silêncio e medo: “Não podemos calar palavras como paz, Gaza ou genocídio”

Massimiliano Gallo, o ator napolitano de 57 anos, voltou a provocar o debate sobre o papel do artista na arena pública ao afirmar que vivemos uma era dominada pelo medo e pelo silêncio seletivo. Em encontro realizado no Distretto Campano dell’Audiovisivo, na antiga Base Nato de Bagnoli, em Napoli, Gallo criticou colegas e produtores que preferem a conveniência do silêncio a tomar posições sobre temas urgentes, segundo relato da Vanity Fair.

“Sou embaraçado”, disse Gallo, apontando que “nos últimos anos aconteceram e continuam acontecendo coisas gravíssimas e ninguém diz nada”. Para ele, a opinião pública e o setor cultural parecem evitar pronunciar palavras que carregam peso histórico e moral, como paz, Gaza e genocídio. “Prefere-se mostrar apenas o que convém”, completou, numa fala que funciona como espelho do nosso tempo: a indústria cultural refletindo apenas uma fotografia parcial do presente.

O ator ressaltou que o artista não tem um dever legal de se pronunciar, mas tem, sim, o compromisso de olhar a realidade com outro fio narrativo — como quem reescreve o roteiro oculto da sociedade. Para ilustrar esse ponto, evocou Eduardo De Filippo, lembrando que o dramaturgo escreveu Napoli Milionaria! enquanto os aliados entravam na cidade: um gesto de urgência criativa que não espera a passagem dos anos para nomear a dor.

Gallo também alertou para a crise institucional que atravessa o setor: mencionou um Ministro distanciado do universo do cinema, um mercado paralisado e a ausência de reação por parte dos produtores. “Estamos acostumados a cuidar do nosso canteiro e pensar apenas nos próprios interesses”, afirmou, realçando a fragilidade de um tecido cultural que prefere a sobrevivência individual ao risco coletivo.

Com a franqueza que marca sua trajetória, Gallo defendeu que nunca temeu as consequências de falar o que pensa, recordando que construiu sua carreira sem frequentar os salões do poder. Ele acredita que muitos colegas se calam por medo de perder empregos, um fenômeno que torna o ofício artístico mais um barquinho à deriva do que um farol crítico.

No plano profissional, o ator confirmou que em breve retornará ao papel do advogado Vincenzo Malinconico, na terceira temporada da série, e revelou que prepara seu segundo filme como autor e diretor. Depois de La salita, ele pretende realizar um remake de uma “grandíssima commedia all’italiana” que o marcou profundamente — sinal de que, mesmo em tempos de silêncio, o cinema continua a reescrever memórias e a traduzir a experiência coletiva.

Como analista cultural, observo que a declaração de Gallo funciona como um chamado: não apenas um artista se indignando, mas uma intervenção que pede que reconheçamos o papel da cultura como um dispositivo de memória e crítica. Em tempos em que a visibilidade é muitas vezes gerida por agendas e algoritmos, a coragem de nomear torna-se um ato estético e político — um reframe da realidade que nos obriga a questionar o roteiro dominante.