“L'Estranea”, de Paolo Strippoli, é o candidato italiano ao Oscar 2027

L'Estranea, de Paolo Strippoli, é o candidato da Itália ao Oscar 2027; shortlist em 15/12, indicações em 21/01/2027 e cerimônia em 14/03/2027.

“L'Estranea”, de Paolo Strippoli, é o candidato italiano ao Oscar 2027

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“L'Estranea”, de Paolo Strippoli, é o candidato italiano ao Oscar 2027

Por Chiara Lombardi — Em mais um gesto que mistura política cultural e estratégia cinematográfica, a Itália escolheu L'Estranea, de Paolo Strippoli, como seu candidato oficial para a corrida ao Oscar de Melhor Filme Internacional. A decisão coloca o longa no caminho para disputar uma vaga entre os 15 títulos da shortlist, cuja lista será anunciada em 15 de dezembro. As indicações estão marcadas para 21 de janeiro de 2027 e a cerimônia dos Oscars acontecerá em Los Angeles, em 14 de março de 2027.

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L'Estranea tem sido celebrado por críticos e por parte do público como um notável exemplo do que se pode chamar de horror à luz do dia: um filme de gênero que renega a escuridão literal para expor, com clareza quase cirúrgica, as fendas daquilo que entendemos por normalidade social. Paolo Strippoli assina um trabalho que, sem ceder ao expediente do susto barato, usa a estética do cotidiano para amplificar tensões e revelar o roteiro oculto da sociedade.

Na cena cultural europeia contemporânea, obras como esta funcionam como espelhos — não inalcançáveis reflexos estéticos, mas superfícies que devolvem imagens desconfortáveis e informam sobre medos coletivos. É por isso que a escolha de um filme de gênero para encarar a mecânica dos prêmios internacionais diz tanto sobre o momento: o cinema de entretenimento está cada vez menos isolado do discurso público; ele participa da conversa sobre identidade, memória e os mecanismos que estruturam nossas relações.

Curiosamente, a nomeação nacional ocorre num momento em que vozes intelectuais se fazem ouvir em alto e bom som: o filósofo Slavoj Žižek, por exemplo, ironizou recentemente I dimenticati, lembrando que o debate sobre cinema precisa também olhar para o que é esquecido — e para o que se escolhe exibir. É um lembrete oportuno de que o mercado e a crítica às vezes dialogam em descompasso. Para entender o que acontece fora dos cineclubes e das bolhas, talvez valha a pena observar também os números de bilheteria dos filmes que não costumamos ver; esses dados contam uma história paralela, uma semiótica do viral e do consumo cultural.

Se L'Estranea chegar à shortlist, não será apenas por méritos estéticos: será porque o filme encarna uma narrativa coletiva capaz de falar tanto para jurados quanto para plateias reais. A travessia que leva um título nacional até a estatueta envolve diplomacia cultural, estratégia de divulgação e, claro, ressonância temática. Em outras palavras, a jornada rumo ao Oscar é também um mapa dos medos e esperanças que atravessam nosso tempo.

Para os observadores do cinema europeu, a escolha de Strippoli confirma uma tendência: o gênero — longe de ser um território menor — oferece plataformas potentes para refletir questões sociais e históricas. Em tempos de polarização, de memórias contestadas e de rápidas reconfigurações identitárias, filmes como L'Estranea atuam como pequenos faróis de diálogo. Resta agora esperar o decurso das etapas oficiais: a lista dos 15 em 15 de dezembro, as indicações em 21 de janeiro de 2027 e, se o destino assim o permitir, o ápice da cerimônia em 14 de março de 2027, em Los Angeles.

Enquanto isso, vale a pena guardar o filme na memória — não apenas como um candidato, mas como um espelho do nosso tempo e como um exemplo do que o cinema contemporâneo italiano tem a dizer ao mundo.

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