Mel Gibson retoma filmagens de The Resurrection: Gravina e outras locações na Puglia e Basilicata para o épico de 2027

Mel Gibson retoma filmagens de The Resurrection em Gravina; sets na Puglia e Basilicata, incluindo Matera, Craco e Torre Guaceto. Produção fechada até 14/04.

Mel Gibson retoma filmagens de The Resurrection: Gravina e outras locações na Puglia e Basilicata para o épico de 2027

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Mel Gibson retoma filmagens de The Resurrection: Gravina e outras locações na Puglia e Basilicata para o épico de 2027

As filmagens do novo épico de Mel Gibson, The Resurrection, voltaram a acontecer e transformaram novamente o sul da Itália em platô histórico. A produção, prevista para chegar aos cinemas em 2027 em duas partes, começou os cliques em Gravina, na Puglia (província de Bari), onde foram escolhidos cenários naturais de grande impacto visual: a gravina (o profundo desfiladeiro), o ponte-acquedotto e o planalto da Madonna della Stella. Essas paisagens servirão de aldeia cenográfica com centenas de figurantes.

O elenco reúne nomes internacionais e italianos: o ator finlandês Jaakko Ohtonen interpreta Jesus, Riccardo Scamarcio assume Pôncio Pilatos, a cubano-americana Mariela Garriga está cotada para Maria Madalena e Kasia Smutniak vive a Virgem Maria. A presença desses intérpretes reforça a ambição do projeto, que retoma — em tom e escala — o universo iniciado por The Passion of the Christ (2004), de Gibson.

Os mesmos locais em Gravina já foram palco para cenas de grandes produções: Cary Fukunaga filmou ali sequências de No Time To Die (quando Daniel Craig se lança do ponte) e Matteo Garrone escolheu trechos para o seu Pinocchio. A repetição de escolhas mostra como certos cenários naturais funcionam como um espelho do nosso tempo no cinema — paisagens que abrigam, silenciosas, roteiros ocultos e memórias visuais.

A produção permanecerá em Gravina nos próximos dias. Uma ordem do comando da Polícia Local, solicitada pela produtora Tea Time Film Srl, restringe o acesso aos locais de filmagem até 14 de abril. O set está, naturalmente, blindado: Mel Gibson não tem sido acessível ao público e a logística prevê deslocamentos entre Basilicata e Puglia.

Havia previsão inicial de filmagens em Matera — especificamente no Parque rupestre e naturalístico da Murgia materana — para 20 de abril, mas essa data foi adiada, segundo rumores locais. Matera tem história íntima com o cineasta: foi a Jerusalém de The Passion of the Christ, portanto a ausência de um segundo ato lá seria simbólica — ou simplesmente uma mudança estratégica de produção.

Confirmados, em compensação, os sets lucanos do “paese fantasma” Craco vecchia (que já havia sido selecionado no primeiro filme para a cena do enforcamento de Judas) e as formações entre os calanchi de Pisticci. Na Puglia, além de Gravina, a produção também escolheu Ginosa (província de Taranto) e a oásis natural de Torre Guaceto (Brindisi).

Como observadora cultural, não vejo apenas uma grande produção em movimento: enxergo um cenário de transformação, onde a paisagem italiana — com sua luz e cicatrizes históricas — volta a contar narrativas religiosas e humanas. A escolha de locais já empregados por outros grandes diretores confirma que o sul da Itália permanece um set natural, capaz de traduzir, em pedra e barro, o roteiro oculto da memória coletiva.