Morre Ben Jones, o mecânico Cooter de 'Hazzard', aos 84 anos

Morre aos 84 anos Ben Jones, o mecânico Cooter de 'Hazzard'. Ator, músico e ex-político, deixou legado entre fãs e memória cultural.

Morre Ben Jones, o mecânico Cooter de 'Hazzard', aos 84 anos

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Morre Ben Jones, o mecânico Cooter de 'Hazzard', aos 84 anos

Por Chiara Lombardi — O mundo da cultura pop perde uma de suas figuras mais emblemáticas: Ben Jones, eternizado como o mecânico Cooter Davenport na série televisiva cult dos anos 1980, Hazzard, morreu aos 84 anos. A notícia foi divulgada pela esposa, Alma Viator, em uma comovente publicação no Facebook.

Segundo a mensagem da companheira, Jones sofreu um ataque cardíaco enquanto descansava em sua poltrona preferida, aguardando o jogo entre Braves e Yankees. "Hoje eu perdi o amor da minha vida, Ben morreu de ataque cardíaco. Estava descansando em casa, em sua poltrona favorita, esperando que os Braves jogassem e derrotassem os Yankees", escreveu Alma. Ela lembrou que ele teve "uma vida incrível e plena, amou e foi amado".

A trajetória de Ben Jones nunca foi apenas a de um rosto televisivo: foi também a de alguém que transitou entre entretenimento e engajamento cívico. Após o sucesso em Hazzard, Jones embarcou em uma carreira política na Geórgia como membro do Partido Democrata, sendo eleito em 1988 e reeleito em 1990. No final dos anos 1990, contudo, rompeu com o partido — em parte por ter exigido explicações ao então presidente Bill Clinton sobre o processo de impeachment — e voltou a se dedicar à atuação.

No cinema, destacou-se em 1998 ao interpretar o consultor de mídia Arlen Sporken no filme Os Cores da Vitória (Primary Colors), dirigido por Mike Nichols e estrelado por John Travolta. Também teve participações em produções como The Secret of Joe Gould (2000) e outros trabalhos televisivos, mantendo uma presença constante na cultura audiovisual americana.

Mas foi o laço com Hazzard que definiu sua presença cultural. Jones capitalizou o apelo da série criando a Cooter's Garage Band, que se apresentou em feiras, festivais e shows, além de inaugurar lojas temáticas e museus dedicados à série no Tennessee e na Virginia. Foi um dos idealizadores de encontros de fãs como o Dukesfest e o Hazzard Homecoming, transformando a nostalgia em evento comunitário e memória partilhada.

No curioso encontro entre ficção e realidade, a telefilme de reunião de 1997, intitulado Hazzard 20 Anos Depois, antecipou um desfecho simbólico: o personagem Cooter havia se tornado membro do Congresso — um espelho do itinerário real de Jones entre oficina, palco e Casa Legislativa.

Enquanto fãs e colegas lamentam a perda, a vida pública de Ben Jones deixa um ecossistema cultural: uma constelação de fãs, locais físicos que preservam a memória da série e a certeza de que certas figuras da televisão funcionam como um espelho do nosso tempo. Perde-se um ator, músico e ex-parlamentar, mas permanece o roteiro oculto que ele ajudou a escrever entre entretenimento, política e identidade coletiva.

Alma Viator encerrou sua mensagem com um lamento simples e contundente: "Ele teve uma vida incrível e plena. Vou sentir sua falta, eu o amei tanto". Em tempos em que a nostalgia televisiva é commodity e patrimônio afetivo, a partida de Jones lembra que por trás do personagem há sempre um homem que viveu em cena e fora dela.