Primeira semifinal do Eurovision Song Contest 2026 em Viena: veja a escalação, o protesto contra Israel e a eliminação de San Marino
Cobertura da 1ª semifinal do Eurovision Song Contest 2026 em Viena: escalação, protesto durante Israel e eliminação de San Marino.
RESUMO ✦
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Primeira semifinal do Eurovision Song Contest 2026 em Viena: veja a escalação, o protesto contra Israel e a eliminação de San Marino
Por Chiara Lombardi — Na noite de terça-feira, 12 de maio, a Wiener Stadthalle, em Viena, se transformou no palco da primeira semifinal do Eurovision Song Contest 2026. A transmissão ao vivo na Itália ficou por conta da Rai 2, com os comentários de Gabriele Corsi e Elettra Lamborghini, a partir das 21h (antecedida, às 20h15, pelo especial Anteprima Eurovision); o evento também foi disponível em streaming no RaiPlay e RaiPlay Sound e em rádio pela Rai Radio 2, com Diletta Parlangeli e Matteo Osso na narração e Martina Martorano enviada especial em Viena.
Os anfitriões da noite foram a dupla austríaca formada por Victoria Swarovski e Michael Ostrowski, que conduziram a cerimônia num tom que oscilou entre espetáculo pop e espetáculo-público: um espelho do nosso tempo, em que a grande festa musical é também palco de tensões políticas e memória coletiva.
Na escalação, 15 dos 35 países em disputa ocuparam o palco desta primeira semifinal. Além deles, subiram à arena dois artistas já automaticamente qualificados para a final por pertencerem aos Big Five: o nosso Sal Da Vinci, vencedor do Festival de Sanremo 2026, representando a Itália, e Sarah Engels, pela Alemanha. A presença dos pre-classificados funcionou como um refrão familiar para a audiência — um recurso que reafirma o enredo contínuo do concurso entre tradição e inovação.
Na plateia, entretanto, a noite também registrou um momento de protesto: durante a apresentação do representante israelense, houve gritos vindos de alguns espectadores com a frase "Stop, stop the genocide", uma interrupção que lembrou como o Eurovision, ainda que geralmente pensado como festa pop, carrega sempre um roteiro oculto de conflitos e posicionamentos globais.
Resultado prático da semifinal: entre as surpresas da noite, a delegação de San Marino não avançou para a final — um desfecho que reacende debates sobre representatividade, voto do público e critérios estéticos em competições transnacionais.
Abaixo, a ordem completa de apresentações da primeira semifinal:
- 01 Moldávia — Satoshi (Viva, Moldova!)
- 02 Suécia — Felicia (My System)
- 03 Croácia — Lelek (Andromeda)
- 04 Grécia — Akylas (Ferto)
- 05 Portugal — Bandidos do Cante (Rosa)
- 06 Geórgia — Bzikebi (On Replay)
- 07 Itália — Sal Da Vinci (Per sempre sì) — artista já qualificado
- 08 Finlândia — Linda Lampenius & Pete Parkkonen (Liekinheitin)
- 09 Montenegro — Tamara Živković (Nova zora)
- 10 Estônia — Vanilla Ninja (Too Epic to Be True)
- 11 Israel — Noam Bettan (Michelle) — apresentação alvo de protestos
- 12 Alemanha — Sarah Engels (Fire) — artista já qualificado
- 13 Bélgica — Essyla (Dancing on the Ice)
- 14 Lituânia — Lion Ceccah (Sólo quiero más)
- 15 San Marino — Senhit feat. Boy George (Superstar) — não se classificou
- 16 Polônia — Alicja (Pray)
- 17 Sérvia — Lavina (Kraj mene)
A abertura do espetáculo foi assinada pelo número performático Vita di Toni, um relato visual e musical que percorreu as décadas da vida do protagonista, dos anos 1950 até hoje — um prólogo que funciona como reframe da narrativa coletiva do festival. Em seguida, uma homenagem: Vicky Leandros, que em 1967 participou aos 15 anos representando Luxemburgo com L'amour est bleu, subiu ao palco em um momento orquestrado por um coro de 70 vozes — uma imagem que reverbera como um eco cultural, um coral que simboliza as sete décadas do Eurovision.
Durante o período de televoto, a apresentação contou com o número cômico Kangaroo, que brincou com o mal-entendido geográfico hoje clássico do Eurovision — e que fez referência à Austrália 2025 e ao hit Milkshake — adicionando humor e autorreflexão à noite.
Como observadora cultural, vejo nesta primeira semifinal do Eurovision Song Contest 2026 um pequeno palco do nosso presente: canções e performances que atravessam identidades, protestos que lembram feridas não cicatrizadas, e números que celebram a memória coletiva. O concurso continua sendo, em sua essência, um grande espelho onde as nações projetam melodias, memórias e suas fricções.