Flora Tabanelli: bronze olímpico, recuperação do cruzado e o retorno às raízes no Apennino
Flora Tabanelli fala sobre o bronze em Milano-Cortina, recuperação do cruzado e retorno a Lizzano; planos entre reabilitação, estudos e retorno às pistas.
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Flora Tabanelli: bronze olímpico, recuperação do cruzado e o retorno às raízes no Apennino
Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
Aos 19 anos, Flora Tabanelli entrou para a história do esporte italiano ao conquistar a medalha de bronze no Big Air do esqui freestyle nos Jogos de Milano-Cortina. A façanha ganha relevo adicional pelo contexto: veio mesmo após a atleta sofrer a rotura do ligamento cruzado poucos meses antes da competição.
Na volta a casa, em Lizzano in Belvedere, Flora foi convidada de honra na cerimônia do Criterium Nazionale Cuccioli — a principal prova dedicada ao esqui juvenil nacional, organizada pela FISI no Corno alle Scale. Ao lado de Alberto Tombadella, a campeã reverenciou a origem de sua carreira e dedicou palavras que reforçam uma visão mais ampla do que significa vencer: “Não creio que me habituarei à popularidade; é importante permanecer fiel a si mesma.”
O relato da atleta conjuga alegria e prudência. Flora contou que passou recentemente pela cirurgia de reconstrução do cruzado e que o caminho agora passa por ritmo e equilíbrio entre reabilitação e descanso. “Vim de três meses muito intensos em que dei tudo. Preciso também de um pouco de tranquilidade”, disse ela, delineando um plano que não abandona a ambição.
O cronograma previsto inclui o primeiro mês de recuperação no J Medical, em Turim, e depois o retorno a Livigno, onde combinará treino e aulas para preparar o exame de maturidade. Essa decisão espelha, ao mesmo tempo, a seriedade com que sua família encara os estudos e o caráter integrador do esporte: formar atletas que sejam também cidadãos.
Na mesma cerimônia, Flora acompanhou também o sucesso do irmão Miro, que entrou para os livros como o primeiro italiano a vencer uma etapa de Copa do Mundo no Slopestyle. “Fiquei muito feliz por ele; nunca o tinha visto esquiar tão bem”, comentou. Para Flora, as Olimpíadas já haviam sido, por si só, uma vitória: competir após a lesão foi um gesto de entrega que transcende o pódio.
Há, nas palavras e nos gestos de Flora, algo que ultrapassa o circuito competitivo: um vínculo com o território que a formou. Ela recorda a infância no Apennino, quando seguia o irmão e a irmã nas pistas depois dos turnos dos pais no refúgio. Esse tecido social — famílias, rifugi, escolas locais — é parte essencial da produção de talento e da memória coletiva do esporte de montanha na Itália.
Em termos práticos, o objetivo da pós-operatória é claro: voltar gradualmente a todas as especialidades e estar no pico para a próxima temporada. Em termos simbólicos, a trajetória de Flora é um lembrete de como o esporte contemporâneo se ancora em narrativas pessoais que reverberam em comunidades inteiras. A jovem campeã não só subiu ao pódio; ela revalida um modo de ser atleta enraizado em longevidade, estudo e pertença.
Enquanto prepara a reabilitação e os livros para o exame, Flora segue sendo um ponto de referência para jovens esquiadores, uma presença que conjuga talento, disciplina e fidelidade às próprias origens — a mesma fidelidade que promete manter mesmo diante da crescente popularidade.