Forti e Veloci: 100 anos de ciclismo e o apelo urgente por um ciclodromo
Centenário do Forti e Veloci: livro de Diego Nart celebra história do clube e pede ciclodromo para proteger e formar jovens ciclistas.
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Forti e Veloci: 100 anos de ciclismo e o apelo urgente por um ciclodromo
O clube Forti e Veloci, fundado em 1925 no Trentino, completa um século de atividade e celebra a trajetória com um volume editorial que resgata memórias, imagens e valores. O livro Da un secolo Forti e Veloci, escrito por Diego Nart e publicado por Giovanni Giovannini em parceria com a Artimedia, reúne mais de 280 páginas onde a história do clube se funde com a história social da região.
Mais do que um compêndio de resultados, o projeto editorial optou por um recorte humano e documental: fotografias inéditas, máquinas de duas rodas muito diferentes das atuais e relatos que traduzem a centralidade do ciclismo na identidade local. Entre os episódios narrados, destaca-se o depoimento de Francesco Moser, que lembra como uma prova organizada pelos Forti e Veloci, em 1967, em Lavarone — onde corria o irmão Diego — foi responsável por acender, naquela juventude, a chama que o levaria a se tornar uma referência do esporte.
Alessandro Groff, atual presidente do clube após a morte do histórico dirigente Silvano Dusevich, sublinha que a obra foi também a oportunidade de reafirmar os princípios de quem fundou a associação: disciplina, formação de jovens e ligação com o território. As imagens do período pré‑guerra, salienta Groff, mostram um ciclismo de paixão e sacrifício, praticado por muitos que usavam a bicicleta tanto como instrumento esportivo quanto como meio de contato com lugares distantes.
No entanto, esse laço entre comunidade e bicicleta parece fragilizado hoje. O livro, e quem o organiza, fazem um diagnóstico claro: o ciclismo juvenil italiano vive uma fase crítica. A oferta de atividades esportivas nas escolas é hoje muito maior do que há décadas, e isso dispersa talentos; porém, o problema mais agudo é a insegurança nas vias públicas. Por quase dez anos o clube debateu com autoridades locais a necessidade de uma infraestrutura que permita treinos seguros para crianças e adolescentes — um ciclódromo, um circuito protegido que não existe na atualidade.
Esse apelo não é apenas técnico: é cultural. Investir em infraestruturas é preservar um sistema de formação capaz de transformar curiosidade em competência, lazer em profissão e memória em legado coletivo. Apesar das dificuldades estruturais, Groff ressalta que, nos últimos anos, o vivaio dos Forti e Veloci tem apresentado sinais de vitalidade e conquistado resultados animadores, evidência de que o capital humano local continua a florescer quando há condições mínimas de trabalho.
O livro de Diego Nart surge, portanto, como documento e como chamada à ação: não só para recordar feitos e rostos, mas para redesenhar as políticas públicas que garantam segurança, continuidade e acesso ao ciclismo juvenil. Em um contexto onde estádios, pistas e clubes funcionam como reservatórios de memória social, o destino do Forti e Veloci é também o teste da capacidade coletiva de manter vivas tradições esportivas que moldaram gerações.
Em suma, a publicação do centenário é um convite à reflexão sobre como as cidades e as instituições valorizam suas histórias esportivas — e um lembrete de que, sem infraestrutura e atenção, sequer as histórias mais consolidadas conseguem se renovar.