Franzoni recorda rivalidade com Sinner no esqui: “Ainda bem que ele se dedicou ao tênis”
Giovanni Franzoni relembra sua rivalidade infantil com Jannik Sinner nas pistas e reflete sobre formação esportiva e trajetórias distintas.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Franzoni recorda rivalidade com Sinner no esqui: “Ainda bem que ele se dedicou ao tênis”
Por Otávio Marchesini, Espresso Italia — Em uma conversa marcada por ironia e memória afetiva no programa de Fabio Fazio, Giovanni Franzoni, protagonista atual da Coppa del Mondo de esqui alpino, resgatou um capítulo curioso da formação esportiva italiana: os primeiros duelos com Jannik Sinner nas pistas.
Franzoni foi convidado no sofá de Che tempo che fa e, com a sobriedade de quem observa o esporte como paisagem sociocultural, rememorou os anos em que ambos eram crianças e competiam em provas regionais. "Io non ero fortissimo, ero piccolino... menomale che Sinner si è dato al tennis, sono sicuro che anche nello sci avrebbe fatto grandi cose", disse o esquiador, misturando autocrítica bem-humorada e admiração.
O episódio mais emblemático dessa fase aconteceu em 2009, na prova de gigante de Sexten/Moos, quando o jovem Sinner venceu com 45"15. Na mesma competição, Franzoni fechou na 12ª posição com 49"09 — estatística singela que hoje é lida à luz das trajetórias distintas que ambos adotaram.
Hoje, enquanto Giovanni Franzoni figura entre os nomes acompanhados na Coppa del Mondo, Jannik Sinner consolidou-se como um dos melhores tenistas do mundo. A lembrança do esqui infantil abre uma janela para refletir sobre dois temas caros à compreensão do esporte na Itália: a formação poliesportiva e a influência do território.
O fato de ambos terem nascido e crescido numa região dominada pela cultura da neve — as Dolomitas e o entorno de San Candido/Sexten — explica a familiaridade com os esquis. Mas a escolha de caminhos diferentes aponta para algo além do acaso: a capacidade de instituições locais e famílias de identificar aptidões transferíveis entre modalidades.
Como analista, interessa-me menos a anedota que exalta um vencedor e mais o que ela nos revela sobre redes de formação esportiva. O triunfo de Sinner no tênis não é apenas talento individual; é também produto de decisões familiares, oportunidades e um ecossistema que, no seu conjunto, permite que um jovem transmute habilidades de equilíbrio, velocidade e leitura de terreno do esqui para o piso rápido da raquete.
Franzoni, por sua vez, personifica a continuidade de uma tradição que permanece vital: o esqui competitivo italiano segue produzindo protagonistas. Sua lembrança pública de Sinner serve, simultaneamente, como uma celebração da pluralidade esportiva e como um lembrete de que trajetórias se cruzam, separando-se depois em narrativas que alimentam a memória coletiva do esporte nacional.
Ao final, uma frase do esquiador resume a admiração que atravessa gerações: "Qualunque cosa faccia Sinner, vince" — e essa constatação, longe de ser apenas elogio pessoal, traduz a observação de um colega de formação sobre o destino que o talento pode trilhar quando encontra o ambiente apropriado.