Bósnia-Itália: Ventura elogia ambiente compacto e pede retorno da Azzurra aos Mundiais

Ventura elogia ambiente compacto da seleção antes do playoff em Zenica e espera que a Itália retome protagonismo nos Mundiais 2026.

Bósnia-Itália: Ventura elogia ambiente compacto e pede retorno da Azzurra aos Mundiais

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Bósnia-Itália: Ventura elogia ambiente compacto e pede retorno da Azzurra aos Mundiais

Por Otávio Marchesini, Espresso Italia

Às vésperas da final em Zenica que define o acesso aos Mondiais 2026, o ex-técnico da seleção italiana Giampiero Ventura comentou com sobriedade e senso histórico o momento da Itália. Em entrevista ao Tgr Rai della Puglia, Ventura disse que, embora a seleção já esteja acostumada a disputar playoff — hábito que, nas últimas edições, não trouxe resultados positivos —, nunca havia visto um ambiente tão compacto em torno da equipe.

“Ormai agli spareggi siamo abituati e non positivamente, ma non ho mai visto l’ambiente così compatto nello spingere la nostra Nazionale”, afirmou Ventura, traduzindo em poucas palavras a combinação de cobrança, expectativa e solidariedade que cerca a Azzurra neste torneio decisivo. O desejo, prosseguiu, é que a classificação signifique o início de um percurso para que a seleção volte a ser protagonista no cenário mundial.

O contexto histórico é inevitável: a seleção italiana não disputa a Copa do Mundo desde 2014. Em 2018, quando Ventura ainda era o treinador, a Itália falhou na qualificação para a Rússia, derrotada no confronto com a Suécia. Quatro anos depois, como campeão europeu em título, o país viu a eliminação nos acréscimos da semifinal do playoff diante da Macedônia do Norte. Resultado: duas ausências seguidas em Mundiais — um trauma que, para além do esporte, tem desdobramentos institucionais, de formação e de identidade do futebol italiano.

O caminho até Zenica não foi tranquilo: a Itália eliminou a Irlanda do Norte em Bergamo, vencendo por 2 a 0 com gols de Tonali e Kean. A Bósnia, por sua vez, superou o País de Gales em Cardiff apenas nas penalidades. As imagens da comemoração de alguns jogadores italianos com a vitória da seleção balcânica, transmitidas pela TV, viraram tema de debate e crítica nos últimos dias.

Entre os envolvidos, o lateral do Inter Federico Dimarco explicou em coletiva que a reação foi instintiva: estavam assistindo aos pênaltis para saberem quem enfrentariam. “Subito dopo la partita, mi sono congratulato con Dzeko e sono felicissimo per lui. Non ho mancato di rispetto né alla Bosnia né ai bosniaci”, disse o jogador. A manifestação foi absorvida também por Edin Dzeko — atacante com passagem por Roma, Inter e Fiorentina, atualmente no Schalke 04 — que minimizou o episódio, ressaltando a necessidade de cuidado nas redes sociais e afirmando não ter ressentimentos.

No recorte que prefiro analisar, o que está em jogo vai além do resultado em Zenica: trata-se de restabelecer referências, retomar rotas de formação e recuperar a confiança coletiva. Ventura, figura que faz parte dessa trajetória recente da seleção, vê na coesão do grupo uma condição necessária — embora não suficiente — para que a Itália volte a ocupar um lugar de destaque em Mundiais. A partida de terça-feira será, portanto, mais do que um jogo: será um termômetro do estado de saúde do futebol italiano.