Chivu emociona e analisa reconstrução: “Ferido pelo que meus filhos leram, peço desculpas”
Chivu emociona após a vitória da Inter na Coppa Italia: pede desculpas pelo que os filhos leram e analisa a reconstrução do grupo rumo aos títulos.
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Chivu emociona e analisa reconstrução: “Ferido pelo que meus filhos leram, peço desculpas”
Cristian Chivu apareceu com o sorriso característico na sala de imprensa após a vitória da Inter sobre a Lazio na final da Coppa Italia. O 2 a 0, selado no primeiro tempo com um autogol de Marusic e o gol de Lautaro Martinez, foi também um marco pessoal: Chivu tornou-se o primeiro a conquistar a taça tanto como jogador quanto como treinador no mesmo clube — e fez isso já no seu primeiro ano como técnico nerazzurro.
Ao avaliar o time, o treinador não fugiu da leve ironia cultural: "Que nota eu dou? Bem, o primeiro 10 na ginástica foi da Nadia Comăneci, é romena. Então... eu também dou 10 para a equipe, mas ainda há margem para melhorar". A frase traduz a mistura de modéstia e exigência que marcou toda a sua intervenção.
Mais do que celebrações, foi um momento de franqueza quando Chivu abordou as dificuldades enfrentadas no início da temporada. "Estou ferido pelo que meus filhos tiveram que ler sobre mim no começo do campeonato. Peço desculpas eu, em nome de outra pessoa", disse, numa declaração que revela a dimensão pública e privada do exercício de ser figura no futebol moderno. Não é apenas uma questão de resultados: o que se publica ecoa dentro das famílias e deixa marcas.
O treinador recordou a reunião realizada nos Estados Unidos — a tal "reunião em que colocamos as coisas às claras" — como o ponto de inflexão. Foi ali, explicou ele, que o grupo se alinhou, mesmo diante de mudanças e de um verão conturbado após o Mundial de Clubes. "O grupo se colocou à disposição desde o início, apesar das mudanças; quando você tem a companhia do clube no coração e na cabeça, tudo fica mais simples", comentou. A referência às companhias e à sociedade do clube é uma leitura institucional: a estabilidade organizacional facilita a reconstrução esportiva.
Chivu também fez um balanço pessoal e afetivo. Lembrou do troféu conquistado na Primavera — "eu também ganhei na Primavera e chorei; ninguém pode tirar isso de mim, porque era meu primeiro troféu" — e celebrou a reviravolta nas semifinais, quando a equipe virou um placar adverso de 3 a 0 no intervalo. Esses episódios servem para retratar um processo mais amplo: da decepção dos anos anteriores, com zero taças, ao retorno à conquista de dois troféus numa mesma temporada.
Na sua fala houve, portanto, camadas diferentes: alívio pela vitória, autocrítica e uma leitura institucional do papel do clube na recuperação do ambiente. "Sabemos quais são as expectativas quando se veste a camisa da Inter; devemos estar prontos. Nós merecemos por termos conquistado dois troféus", concluiu, com a serenidade de quem entende que títulos são capítulos de uma história maior — a história de uma instituição, de sua cidade e de uma memória coletiva que liga o presente ao famoso Triplete de 2010, ano em que Chivu também esteve dentro de campo.
Por Otávio Marchesini, Espresso Italia — Milão