Argentina sofre, vira de 0-2 e elimina o Egito por 3-2: Messi brilha e garante vaga nas quartas
Argentina vira sobre o Egito, vence por 3-2 com gols de Romero, Messi e Enzo Fernández e avança às quartas; Messi chega a 8 gols no Mundial.
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Argentina sofre, vira de 0-2 e elimina o Egito por 3-2: Messi brilha e garante vaga nas quartas
Por Otávio Marchesini — No Atlanta Stadium uma partida que diz muito sobre identidade, pressão e memória coletiva: a Argentina, atual campeã do mundo, sofreu mais do que esperava, mas protagonizou uma remontada dramática e venceu o Egito por 3-2 nos oitavos de final do Mundial. O triunfo sela a passagem albiceleste às quartas de final, onde aguarda a vencedora entre Suíça e Colômbia.
O jogo teve cinco gols e episódios que condensam o futebol moderno: eficiência aérea dos africanos, milagres do goleiro adversário, erros em momentos decisivos e a capacidade de líderes de carregar uma equipe. O Egito abriu o placar aos 15 minutos da primeira etapa, quando, após bom trabalho coletivo, Attia encontrou um cruzamento preciso para Ibrahim, que cabeceou sem chances para o goleiro Martínez: 1-0.
Pouco depois, aos 19 minutos, a Argentina teve a chance de reagir da maneira mais direta — um pênalti — mas a cobrança de Messi foi defendida por Shobeir, seu segundo pênalti perdido consecutivo nesta edição do torneio. O gesto, mais do que um erro técnico, expõe a tensão de um jogador que, ao mesmo tempo, representa uma nação inteira.
Shobeir ainda foi decisivo na primeira etapa ao negar cabeceio de Mac Allister e um voleio de Álvarez, mantendo o Egito em vantagem até o intervalo. Na segunda etapa, uma sequência confusa viu um gol de Zico anulado após revisão do VAR, mas a insistência egípcia foi premiada aos 22 minutos: Salah avançou, abriu para Haissem Hassan que recuou para Zico marcar o 2-0.
Com a equipe sul-americana aparentemente em apuros, entrou em cena a capacidade de resistência e as alternativas do banco. A entrada de Lautaro Martínez e o movimento coletivo possibilitaram a virada. Aos 34, Romero desviou de cabeça após assistência perfeita de Messi e reabriu o jogo. Aos 38, o próprio Messi empatou: jogada construída, toque de Montiel e finalização de Messi que fez seu oitavo gol no Mundial — um número que confirma sua centralidade esportiva e simbólica.
A virada foi consumada no início do acréscimo: Lautaro recebeu na direita, cruzou e Enzo Fernández cabeceou no canto, deixando Shobeir sem reação e decretando o 3-2 final. Da apreensão à liberação, a sequência encapsula o valor de equipes que sabem transformar sofrimento em resultado.
Além do placar, o duelo deixa lições: o Egito reafirmou força aérea e organização tática, vencendo por fases claras do jogo; a Argentina, por sua vez, demonstrou resiliência e capacidade de resposta sob pressão, com um Messi que, apesar de falhas, assumiu a responsabilidade nos momentos decisivos. Em termos mais amplos, a partida é mais uma página da narrativa do futebol contemporâneo — onde símbolos como Messi continuam a mediar expectativas nacionais e memórias coletivas.
Agora, a seleção de Scaloni volta o foco para as quartas de final, com o próximo adversário ainda por definir entre Suíça e Colômbia. Para o Egito, o retorno será de orgulho e consolidação: deixou o Mundial mostrando que seus pontos fortes podem incomodar qualquer grande potência.