Ministra do Esporte: Zidane seria um maná para a seleção francesa
Marina Ferrari afirma que Zidane seria um 'maná' para a seleção francesa e comenta impacto do teto salarial de 450.000€ na nomeação.
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Ministra do Esporte: Zidane seria um maná para a seleção francesa
Paris, 20 de julho de 2026 — Em entrevista à rádio RTL, a ministra do Esporte, Marina Ferrari, qualificou Zinédine Zidane como "um verdadeiro maná" para a seleção francesa, ao comentar a perspectiva de o ex-jogador assumir o comando técnico da equipe nacional em substituição a Didier Deschamps.
Ferrari evitou antecipar decisões formais — lembrando que a nomeação cabe à federação —, mas não poupou elogios ao possível novo treinador: "Não é função minha anunciar o treinador; isso é responsabilidade da federação. Mas, quando surge a oportunidade de contar com alguém de tamanho talento, penso que a seleção deve aproveitar", declarou a ministra.
A declaração acontece num momento em que a polêmica pública sobre salários no esporte profissional está em destaque no debate legislativo. A proposta de reforma do desporto profissional, que deve ser aprovada definitivamente nos próximos dias, prevê um teto salarial de 450.000 euros anuais para dirigentes e empregados, salvo isenção expressa concedida pelo Ministério do Esporte. Questionada sobre essa cláusula, Marina Ferrari reconheceu a realidade financeira dos cargos de alto nível: "Quando se fala de seleções nacionais, em qualquer lugar do mundo, tratam-se de posições que, de facto, custam bastante". Ao mesmo tempo, reiterou que a lei "não é uma iniciativa do governo" e assinalou que o mecanismo de isenção permitirá ao ministério avaliar casos excepcionais.
Como analista atento às interseções entre esporte e sociedade, é preciso situar a figura de Zidane além do currículo técnico. Mais do que um treinador potencial, Zidane é um ícone cultural: símbolo de uma geração que projeta a complexa história da França contemporânea — migração, identidade e memória coletiva — para dentro do campo. A eventual chegada de uma personalidade desse porte terá efeito imediato sobre a imagem da seleção, o interesse público e as expectativas institucionais.
A substituição de Deschamps por uma figura midiática e respeitada como Zidane abre várias frentes de análise. Do ponto de vista esportivo, há a necessidade de conciliar autoridade técnica com gestão de elenco e de imprensa; do ponto de vista institucional, a federação terá de negociar condições contratuais num cenário regulatório novo, marcado pela proposta de teto salarial e pela possibilidade de isenções. E, finalmente, há a dimensão simbólica: um treinador como Zidane pode atuar como ponto de coesão nacional — ou, dependendo das expectativas e resultados, catalisar debates sobre identidade e investimento no futebol.
Em suma, a fala de Marina Ferrari ilumina duas linhas complementares do debate público: a admiração quase unânime por uma figura de prestígio e a necessidade de enquadrar essa escolha em regras que respondam a pressões políticas e orçamentárias. A decisão final caberá, como recordou a ministra, à federação; mas o Governo, pelo papel de autorização de eventuais exceções ao teto, manterá influência no desenlace.
Enquanto a comunidade futebolística aguarda o anúncio oficial, resta observar como se dará a articulação entre expectativa simbólica — personificada por Zidane — e os limites práticos da nova legislação, um nó decisivo para entender a evolução do esporte profissional na França contemporânea.