Morre Jorge Messi, pai e antigo agente de Lionel: ato-chave na trajetória do craque

Morre Jorge Messi, pai e ex-agente de Lionel Messi, aos 68 anos em Rosario, após longa doença. Figura central na carreira do craque argentino.

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Morre Jorge Messi, pai e antigo agente de Lionel: ato-chave na trajetória do craque

Faleceu aos 68 anos, em uma clínica de Rosario, o pai de Lionel Messi, Jorge Messi. Internado havia longo período em razão de uma doença prolongada, Jorge foi figura central não só na vida familiar do jogador, mas também no desenho de sua carreira profissional.

Como trabalhador metalúrgico e líder de equipes de base no pequeno clube Grandoli, em Rosario — cidade a cerca de 340 km ao norte de Buenos Aires —, Jorge introduziu o menino Lionel nos potreros do bairro, aqueles terrenos irregulares e sem infraestrutura que moldaram tantos jovens argentinos. Foi ali, aos quatro anos, que o futuro capitão da seleção começou a evidenciar um talento cuja dimensão internacional poucos previam.

Nos anos seguintes, Jorge assumiu um papel decisivo quando o jovem atleta precisou de tratamento hormonal para o problema de crescimento. Ao acompanhar Lionel nas categorias de base do Newell's Old Boys e, mais tarde, a sua transferência para a Espanha, Jorge interrompeu uma vida estável na Argentina — deixando trabalho, esposa e outros filhos — para se mudar com o filho quando este tinha 13 anos e iniciava a trajetória no FC Barcelona.

O peso humano dessa escolha está presente nas memórias de Messi: “Quando chegamos a Barcelona, eu me trancava no quarto e chorava sozinho, e meu pai fazia o mesmo sem que eu o visse...” — palavras que descrevem um sacrifício familiar que raramente aparece nas manchetes esportivas.

Ao longo das décadas, Jorge passou a gerir também os interesses contratuais e econômicos do filho, tornando-se seu agente e principal interlocutor em negociações, do Barcelona ao Paris Saint-Germain e, mais tarde, à fase em Miami. Em entrevista à revista Kicker, em 2013, ele antevia a dimensão simbólica do fim da carreira: para ele, uma parte do sonho pessoal morreria no dia em que Lionel pendurasse as chuteiras.

A vida pública de Jorge não esteve isenta de controvérsias. Em 2013, pai e filho foram acusados na Espanha de usar um esquema para receber direitos de imagem entre 2007 e 2009, supostamente evitando tributação local; o processo se encerrou em 2017 com multas, sem condenações de prisão. Nova investigação em 2019 sobre possíveis crimes fiscais, fraude e lavagem foi arquivada em 2021, quando a justiça concluiu que não havia base para imputações.

Jorge deixa a esposa Celia Cuccittini e os filhos Lionel, Rodrigo, Matías e María Sol. Sua morte ocorreu antes de qualquer anúncio formal sobre o encerramento da carreira do filho, e será lembrada como a de um homem cujo papel estrutural — tanto afetivo quanto profissional — foi determinante para que o talento nascido nas ruas de Rosario se tornasse fenômeno global.

Do ponto de vista social e cultural, a história de Jorge e Lionel reflete trajetórias recorrentes no futebol argentino: pais que são técnicos, conselheiros e, por vezes, empresários; clubes locais que exportam promessas; decisões familiares que transformam destinos individuais. Na biografia pública do craque, Jorge Messi foi ao mesmo tempo arquiteto e testemunha de uma narrativa que ultrapassa o campo e toca questões de mobilidade, sacrifício e construção de ídolos.