Infantino busca apoio de Trump para as eleições da FIFA 2027; presidente americano não atende mais o telefone
Infantino busca apoio nos EUA para as eleições da FIFA 2027; relação com Trump esfriou e UEFA ameaça ação legal após projeto polêmico.
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Infantino busca apoio de Trump para as eleições da FIFA 2027; presidente americano não atende mais o telefone
Em um momento de tensão institucional, Gianni Infantino intensifica a busca por reforços políticos nos Estados Unidos na tentativa de consolidar sua posição antes das eleições da FIFA previstas para março de 2027. Relatos do New York Post e da BBC apontam que o presidente da entidade procurou interlocução com membros da administração do então presidente Donald Trump, incluindo o senador Marco Rubio.
Segundo as reconstruções jornalísticas, o pedido de audiência teria sido motivado pela necessidade de conter os efeitos da reação negativa provocada pelo polêmico — e depois retirado — projeto de venda de cotas vinculadas à Copa do Mundo. O episódio agravou uma crise de imagem que, de acordo com fontes citadas pelo New York Post, deixou Infantino em condição de crescente isolamento: “ele está procurando aliados de primeira linha prontos a apoiá-lo publicamente”, diz uma das fontes.
Ao mesmo tempo, circulou a informação de que a relação pessoal entre Infantino e Donald Trump, anteriormente descrita como amistosa, teria esfriado a ponto de o presidente norte-americano deixar de atender as ligações do dirigente suíço. Uma fonte citada pelo jornal norte-americano minimizou o encontro, afirmando que o contato com a administração se refere “exclusivamente à proteção do seu mandato e, neste estágio, nada mais”. Ainda assim, Infantino teria tentado justificar a aproximação sublinhando como o futebol pode exercer uma forma de soft power favorável aos Estados Unidos, segundo relato de sua solicitação a Marco Rubio.
O ambiente de crise transborda também para as federações. Nas últimas semanas, Finlândia e País de Gales anunciaram que não apoiarão a recandidatura de Infantino, enquanto sinais semelhantes chegam da Inglaterra. A UEFA e a Concacaf manifestaram publicamente oposição ao plano do presidente da FIFA: a confederação europeia foi além e ameaçou ações legais, requisitando inclusive a preservação de materiais relacionados ao projeto, conforme reportagem do Telegraph.
Internamente, a narrativa revela a fisiologia do poder no futebol global: lideranças transitam entre redes de amizade pessoal, interesses econômicos e pressões institucionais. O episódio do projeto de privatização dos ativos da Copa escancarou fragilidades de comunicação e alianças que até então pareciam consolidadas. Resta a Infantino a tarefa de recompor um mínimo de consenso político e institucional para enfrentar uma eleição que se anuncia complexa — não apenas por disputas de poder, mas pelo risco de perda de legitimidade perante federações e torcedores.
Como observador atento das estruturas que sustentam o esporte, lembro que crises dessa natureza não se resolvem apenas com apoios formais: exigem transparência, diálogo estruturado e a reconstrução de confiança. O jogo que se desenha até março de 2027 não será apenas sobre votos em uma assembleia, mas sobre a capacidade da FIFA em reassumir credibilidade num momento em que o futebol aparece cada vez mais como arena geopolítica e econômica.
Roma, 3 de agosto de 2026 — Otávio Marchesini, repórter de Esportes da Espresso Italia