Processo pela morte de Maradona: massagista diz que ele 'não queria comer nem se lavar'

Massagista Nicolás Taffarel diz que Maradona se recusava a comer e a higiene antes da morte; sete profissionais da equipe são acusados no processo.

Processo pela morte de Maradona: massagista diz que ele 'não queria comer nem se lavar'

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Processo pela morte de Maradona: massagista diz que ele 'não queria comer nem se lavar'

Em uma das audiências do processo que busca esclarecer as circunstâncias da morte de Diego Armando Maradona, o massagista Nicolás Taffarel prestou um depoimento que traça os últimos dias de vida do ídolo sob a perspectiva de quem o visitava em casa. Segundo Taffarel, Maradona apresentou um quadro de recusa total aos cuidados básicos: "Nos últimos dias de vida, suas condições pioraram. Não se levantava da cama, não queria comer, não queria trocar de roupa nem se lavar. Nem mesmo aceitava uma massagem. Eu ficava à disposição caso me chamasse, mas ele não queria nada", relatou, conforme noticiado pelo Infobae.

O testemunho insiste sobre sintomas físicos evidentes: "Tinha as pernas inchadas. O edema nas pernas não diminuía, pelo contrário, piorava cada vez mais". Ao questionar sobre a administração de medicamentos diuréticos, Taffarel afirma que foi informado pela enfermeira de que esses fármacos haviam sido suspensos: "Não sei por quem", disse. Ele acrescentou que havia compartilhado suas preocupações com o médico Leopoldo Luque, com quem manteve contato diário.

Segundo o massagista, a reação da equipe médica seria, em linhas gerais, de minimização: "Os médicos disseram para ficar tranquilo, que essas coisas passariam. Quando se está nervoso, a gente confia que vai passar, que tudo se resolverá. Mas não aconteceu". Trata-se de um relato que coloca em evidência um conflito clássico entre percepção íntima do estado de saúde e decisões clínicas ou administrativas tomadas pela equipe responsável.

Maradona faleceu em 25 de novembro de 2020. O processo aberto desde então envolve sete membros da equipe que acompanhava o ex-camisa 10 do Napoli, acusados por suas responsabilidades profissionais na fase final da vida do futebolista. O depoimento de Taffarel soma-se a uma série de testemunhos e documentos que buscam reconstruir não apenas eventos pontuais, mas também rotinas, omitidos e escolhas institucionais que podem ter contribuído para o desfecho.

Como observador das intersecções entre esporte e sociedade, cabe lembrar que a morte de uma figura desse porte não é apenas um episódio clínico: é um evento com carga simbólica, política e cultural. Diego Armando Maradona carregava uma identidade pública inextricável — herói para multidões, sobretudo em Nápoles e na Argentina — e sua fatalidade expôs fragilidades de sistemas de cuidado que lidam com celebridades e pacientes em condição de vulnerabilidade.

O depoimento de Taffarel ilumina aspectos íntimos e práticos do dia a dia de Maradona nos dias que antecederam sua morte: a recusa aos cuidados pessoais, o agravamento do edema e a aparente suspensão de tratamentos. No campo mais amplo, o processo interroga responsabilidades profissionais e institucionais, e testa a capacidade do sistema judicial de transformar testemunhos e evidências em respostas — adotando, ou não, medidas sobre o que significou cuidar de um homem que foi, para muitos, muito mais que um jogador.

O julgamento prossegue, com as peças do quebra-cabeça sendo montadas peça a peça no tribunal, e com relatos como o de Nicolás Taffarel ocupando lugar central na narrativa oficial sobre os últimos dias de vida do craque.