Qualificazioni Mondiali 2027: Itália respira em Leskovac, mas empate em Copenhague torna primeiro lugar um sonho distante

Itália vence Sérvia com autoridade, mas empate na Dinamarca complica a luta pelo 1º lugar nas Qualificazioni Mondiali 2027. Playoff pode ser inevitável.

Qualificazioni Mondiali 2027: Itália respira em Leskovac, mas empate em Copenhague torna primeiro lugar um sonho distante

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Qualificazioni Mondiali 2027: Itália respira em Leskovac, mas empate em Copenhague torna primeiro lugar um sonho distante

Por Otávio Marchesini, repórter de Esportes da Espresso Italia.

A trajetória da seleção feminina italiana nas Qualificazioni Mondiali 2027 ganhou contornos simultaneamente encorajadores e inquietantes após as partidas contra Sérvia e Dinamarca. A vitória categórica em Leskovac — 6-0 — ofereceu alívio e evidenciou capacidade técnica; o empate sem gols no Parken, porém, devolveu certezas sobre os limites que a equipe ainda precisa superar.

O resultado combinado faz com que a Itália siga a -3 da ponta da chave, com a obrigação de encarar a proibitiva viagem à Suécia na última rodada. Antes disso, no dia 5 de junho, o calendário traz outro capítulo decisivo: as azzurre jogarão em Pisa, enquanto Suécia e Dinamarca se enfrentam em Odense. Na classificação atual, as duas seleções nórdicas possuem, respectivamente, dois e três pontos de vantagem sobre a Itália, uma margem que transforma a luta pela vaga direta em um cenário cada vez mais remoto.

Em termos práticos, a batalha por um lugar direto para o Mundial 2027 tende a se transformar em uma batalha por vagas nas playoff. A combinação de adversários superiores em casa e de um calendário final que coloca a Itália fora de sua praça fortalece a probabilidade de que, entre outubro e dezembro, a equipe de Soncin precise disputar eliminatórias suplementares — um caminho que, além do esforço esportivo, traz um peso simbólico: o de tentar superar o triplo tabu já vivido pelos colegas homens.

Sobre a partida em Leskovac, pouco pode ser criticado no desempenho coletivo: o 6-0 traduziu superioridade e refinamento nas ações ofensivas. O placar poderia ter sido ainda mais elástico; entre os lances que atestam o domínio das azzurre há uma rede anulada de Girelli no 0-0, uma bola no travessão de Bonfantini perto do final e o impressionante total de 21 finalizações. Na defesa, houve apenas um deslize de Soffia, prontamente contornado por uma intervenção segura de Giuliani sobre Matejić aos 30 minutos. Foi, no conjunto, uma injeção de confiança e pontos para a tabela — sobretudo após um hiato de nove meses sem vitórias, que remontava às quartas do Euro 2025 contra a Noruega.

O cenário invertido no Parken exige leitura diferente. A alteração tática para o 3-5-2 (após o 4-3-3 em Leskovac) não surtiu o efeito desejado: a Dinamarca esteve mais agressiva, controlou ritmos e ganhou a maioria dos duelos no meio-campo. Prova disso foi a pressão inicial, com Thomsen a testar a defesa italiana em três ocasiões no primeiro quarto de hora. O primeiro sinal ofensivo mais claro das anfitriãs veio num remate de Cantore que acabou desviado; em linhas gerais, faltou à Itália a capacidade de transformar posse e organização em finalizações efetivas e ocasiões claras.

Do ponto de vista estrutural, o episódio é revelador: a seleção italiana demonstra momentos de excelente qualidade coletiva, mas esbarra em limitações quando confrontada por equipes que ditam ritmo e intensidade em seus domínios. A exigência que se aproxima — sobretudo a viagem para enfrentar a Suécia — coloca em pauta não apenas ajustes táticos, mas a resiliência mental de um grupo que ainda procura afirmar-se como alternativa consistente no futebol europeu feminino.

Se a classificação direta virou miragem, permanece intacta a possibilidade de redenção através das eliminatórias. Resta à comissão técnica, liderada por Soncin, transformar variações momentâneas de brilho em matriz de jogo estável. Só assim a Itália poderá evitar que a campanha seja lembrada como promessa não cumprida e, ao mesmo tempo, reafirmar o futebol feminino como um espelho das capacidades institucionais e culturais que o país decide, hoje, valorizar.