Roma surpreende na Serie A Women 2025-2026: promotores, fracassos e o novo mapa do futebol feminino italiano
Roma surpreende e conquista a Serie A Women 2025-2026; análises sobre promotores, fracassos e as mudanças estruturais do futebol feminino italiano.
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Roma surpreende na Serie A Women 2025-2026: promotores, fracassos e o novo mapa do futebol feminino italiano
Por Otávio Marchesini — A temporada 2025-2026 da Serie A Women confirmou aquilo que a evolução do movimento já anunciava: equilíbrio e maior competitividade. Quando as apostas, em setembro, apontavam para Juventus e Inter como as grandes favoritas, coube à Roma escrever o inesperado, erguendo um título que reforça transformações profundas no futebol feminino italiano.
O triunfo da Roma tem contornos quase simbólicos. A equipe iniciou o ciclo sem várias peças de referência presentes na temporada anterior — nomes como Elena Linari, Moeka Minami, Valentina Giacinti, Benedetta Glionna e Lucia Di Guglielmo (esta ausente a partir da pausa de inverno) não faziam mais parte do elenco, e uma série de lesões importantes desde a pré-temporada (entre elas as de Haavi, Pilgrim, Van Diemen, Thogersen e Lukasova) parecia condenar o projeto. E, ainda assim, a equipe respondeu.
O mérito cabe também ao treinador Luca Rossettini, que na sua primeira experiência no futebol profissional — após trabalhos nas categorias de base — conduziu mentalidade e tática com claro domínio. "Ce lo siamo guadagnato partita dopo partita", disse o técnico, traduzindo num pragmatismo que se refletiu em resiliência: a Roma soube reagir às derrotas nas finais iniciais (Women's Cup e Supercoppa) e transformar frustrações em combustível.
No campo, nomes como Manuela Giugliano (12 gols, artilheira do time) e Giulia Dragoni (7) garantiram produção ofensiva; a jovem zagueira nigeriana Shukurat Oladipo (2004) foi a grande surpresa defensiva, provando que a aposta em talentos emergentes pode pagar dividido e de forma duradoura.
Para Inter e Juventus, a leitura é mais amarga. As nerazzurre, apesar da luminosa temporada individual de Tessa Wullaert (artilheira do campeonato com 14 gols), viram o tempo livre de competições europeias — terminadas em novembro — não se transformar em vantagem decisiva. Já as bianconere, campeãs em exercício, nunca conseguiram entrar na discussão pela liderança, pagando o preço de um início de campanha com sinais de instabilidade.
Houve outras histórias de temporada: o Napoli foi uma das surpresas positivas, consolidando projetos e ambições; por outro lado, o Genoa representa a face oposta — uma campanha de frustrações e resultados aquém das expectativas. No plano institucional, a presidenta Federica Cappelletti destacou o avanço: "Campionato sempre più equilibrato, segno di un movimento vivo. Complimenti alle campionesse. Il neopromosso Como 1907? Società ambiziosa che potrà rappresentare un valore aggiunto" — uma avaliação que coloca atenção no crescimento estrutural da liga.
Como analista que vê além do placar, é preciso sublinhar que o que aconteceu nesta edição vai além de uma conquista singular: reafirma a importância de gestão, formação e resistência. Clubes que apostam em bases sólidas e projetos de longo prazo colhem frutos; os que dependem apenas de investimentos imediatos expõem-se à volatilidade do mercado e dos ciclos de lesão.
O que permanece, então, é uma Serie A Women mais complexa, plural e imprevisível — um campo onde tradições ainda contam, mas onde a renovação define quem escreve as próximas páginas da memória coletiva do futebol feminino italiano.