Valeri Bojinov: “O Lecce vai se salvar de novo. Sempre amei o Mourinho, com a Inter quase deu certo”
Valeri Bojinov revisita sua relação com o Lecce, recorda Corvino, fala de Mourinho e diz acreditar na salvação do clube. Entrevista exclusiva.
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Valeri Bojinov: “O Lecce vai se salvar de novo. Sempre amei o Mourinho, com a Inter quase deu certo”
Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
Retirado das salas de jogo há apenas três anos, Valeri Bojinov mantém uma relação íntima com o universo que o formou: observa, avalia e espera o momento certo para um retorno mais estruturado ao futebol. Numa conversa que guarda matizes pessoais e históricas, o ex-atacante falou sobre a sua ligação com a Itália, o vínculo eterno com o Lecce e memórias que atravessam clubes, gestores e torcedores.
“Hoje estou avaliando algumas oportunidades e aguardando o momento ideal para voltar ao futebol de forma concreta. Na prática, nunca me afastei: sigo, observo, viajo, encontro pessoas”, disse Bojinov, em tom sereno, típico de quem traduz experiência em cautela.
Ao falar da Itália, o jogador não economiza reconhecimento: “É o país que me formou, que me fez crescer como atleta e como homem. Não se cospe no prato onde se comeu: todas as equipes em que joguei me deram carinho e reconhecimento. Se hoje participo de eventos, é graças à visibilidade e à experiência que encontrei aqui”.
A primeira passagem significativa foi em Lecce, berço da sua carreira. Bojinov lembra com precisão afetiva o papel do clube e de figuras como Pantaleo Corvino: “Lecce significa muito para mim. Foi ali que me tornei um jovem promissor. O clube sempre trabalhou bem com jovens — Corvino foi o primeiro a acreditar em mim e me trouxe ao Salento. O primeiro amor não se esquece”.
Sobre gols e recordações, ele se mostra comedidamente universal: “Sou ligado a todos os gols da minha carreira, mas os feitos com a camisa do Lecce têm um lugar especial. Carrego esses momentos com grande afeto”.
O retorno em 2012 trouxe outra narrativa: “Dizem que quando se volta nunca é como da primeira vez. Voltei em período difícil: quase nos salvamos com Cosmi, mas infelizmente não deu — fomos rebaixados na última jornada. Mesmo assim, o calor do público não mudou”. Ao definir a torcida, escolhe uma palavra que concentra pertença: “Popolo. A torcida de Lecce sempre me fez sentir um deles; para mim, são os melhores. Não os esquecerei, e espero que também não me esqueçam. Sinto que este ano nos salvaremos, tenho esse pressentimento”.
Entrelaçada à trajetória afetiva há uma anedota que ganhou manchetes: a proximidade com José Mourinho. Bojinov conta que, após um gol pelo Parma contra o Milan, aproximou-se publicamente do técnico, gesto que alimentou a alcunha de “amigo de Mourinho”. A história foi além do afeto: “Sempre gostei do Mourinho, e houve um momento em que uma transferência para a Inter parecia encaminhada”, admitiu, com a franqueza que marca aqueles acostumados a negociar sonhos profissionais.
Hoje, mais do que contrastes de clubes ou episódios pontuais, Bojinov insiste no laço humano: a reciprocidade entre jogador e torcida, a dívida de gratidão com um país que o formou e a prudência de quem pretende retornar ao futebol com projeto e estrutura. É a leitura de um atleta que se transformou em memória viva de uma cidade — e que, ao revisitar esse passado, ilumina também as tramas culturais do futebol contemporâneo.
“O futebol não é só resultado; é identidade. Lecce, seus torcedores e cores fazem parte da minha história. Quando falo deles, falo de um pedaço de mim”, conclui Bojinov.