Revelações sobre avaliações: voto que pode ter mudado cortes na AIA atinge Maria Sole Ferrieri Caputi

Denúncia aponta voto que pode ter alterado demissões de árbitros na AIA; Procurador Chinè abre investigação sobre designações e avaliações.

Revelações sobre avaliações: voto que pode ter mudado cortes na AIA atinge Maria Sole Ferrieri Caputi

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Revelações sobre avaliações: voto que pode ter mudado cortes na AIA atinge Maria Sole Ferrieri Caputi

Um novo episódio de tensão abala a Associação Italiana de Árbitros (AIA) e projeta sombra sobre o período de transição na designação de oficiais. O centro da controvérsia é a última rodada do campeonato 2025-26 e a avaliação que recaiu sobre a árbitra Maria Sole Ferrieri Caputi.

O presidente da Sezione AIA dell'Aquila, Alfonsi, protocolou um esposto no qual descreve mudanças nas designações dos observadores — aqueles responsáveis por atribuir as notas às atuações dos árbitros e, portanto, por influir diretamente nas confirmações ou nas dismissões no fim da temporada. Segundo o documento, alterações em quem avaliaria quais partidas teriam sido motivadas por razões suspeitas.

O relato aponta um exemplo concreto: Andrea Antonelli foi inicialmente designado para Lazio‑Pisa e depois transferido para Napoli‑Udinese; por sua vez, Sandro Rossomando, que deveria integrar a equipe no Maradona, acabou no Estádio Olímpico. Foi justamente Rossomando quem atribuiu à Ferrieri Caputi a nota de 8,40 — avaliação que a deixou fora das 25 melhores da temporada e, segundo a denúncia, teria desencadeado efeito em cadeia sobre as permanências no quadro.

O mecanismo que Alfonsi descreve é econômico e institucional: a AIA tem a obrigação anual de dispensar cinco árbitros. Nesta temporada, três cortes ocorreram entre árbitros com mais de dez anos de serviço — Abisso, Piccinini e Pezzuto — por estarem abaixo do top 25. Outros dois demitidos foram os últimos da lista: Massimi (42º) e Dionisi (41º). Antonio Rapuano, com mais de dez anos de carreira, manteve-se graças ao 25º lugar. Se o voto final a Ferrieri Caputi tivesse sido superior, ela teria alcançado a 25ª posição, deslocando Rapuano para fora da zona de segurança; nesse cenário, seriam quatro as demissões por antiguidade, Massimi teria figurado entre os cinco dispensados e Dionisi teria se salvado.

A denúncia não se limita ao quadro principal: questionamentos sobre as avaliações de assistentes também surgem — poucos jogos designados para árbitros bandeirinha mais jovens e presuntos privilégios a colegas mais veteranos compõem a lista de queixas.

O caso agora segue para a esfera disciplinar: o procurador federal Chinè determinou a oitiva de todas as pessoas envolvidas e a apreensão de documentos relevantes para avaliar a possibilidade de um deferimento. A investigação terá prazo inicial de 60 dias, prorrogáveis por mais 40. Entre os possíveis alvos da apuração figura Dino Tommasi, designador interino que assumiu após Rocchi.

Do ponto de vista institucional e cultural, trata-se de um episódio que ultrapassa o mérito técnico de uma nota isolada. O futebol italiano organiza suas carreiras arbitrárias a partir de um equilíbrio frágil entre avaliações técnicas, percursos de formação e redes de tutela e influência. Quando um único voto é capaz de reordenar destinos profissionais, aflora a necessidade de transparência nas escolhas e de mecanismos que preservem a confiança coletiva nas instituições esportivas.

Os fischietti, por ora, mantêm silêncio. Mas o ruído investigativo não permite que a questão permaneça restrita às mesas internas da AIA: a credibilidade dos árbitros e da própria associação — recursos fundamentais para o bom andamento das competições — está em jogo. A apuração do procurador Chinè deverá esclarecer se houve irregularidades ou apenas uma série de coincidências com impacto inesperado nas classificações finais.

Como analista atento às instituições esportivas, observo que episódios assim tendem a ser decisivos — não apenas para os profissionais diretamente envolvidos, mas para a percepção pública sobre a governança do jogo. Se confirmado um direcionamento "induzido", a AIA terá que recuperar não só processos, mas legitimidade.