Gabriele Targhetta faz história e conquista ouro no cavalo com alças em Zagreb
Gabriele Targhetta conquista o inédito ouro no cavalo com alças em Zagreb, com 15.133 e nota de dificuldade 5.9, escrevendo nova página para a Itália.
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Gabriele Targhetta faz história e conquista ouro no cavalo com alças em Zagreb
Por Otávio Marchesini — No palco do 37º Campeonato Europeu de ginástica artística masculina, em Zagreb, o jovem italiano Gabriele Targhetta escreveu um capítulo inédito para a história da federação nacional ao conquistar a medalha de ouro na final do cavalo com alças.
Vinte anos, nascido em Monza e formado em grande parte no polo de Mestre, Targhetta chegou à final entre os oito melhores com o melhor desempenho das qualificatórias, registrando seu melhor resultado pessoal. Hoje, diante da concorrência de alto nível, repetiu a performance e confirmou a liderança com a nota total de 15.133 — composta por uma impressionante nota de dificuldade 5.9 e execução de 9.233. Com esse exercício, o atleta das Fiamme Oro e pupilo da Spes Mestre, sob a orientação de Gianmatteo Centazzo, superou o armênio Hamlet Manukyan (15.000) e o compatriota de seleção Mamikon Khachatryan (14.900).
O significado do resultado vai além do pódio: nunca um ginasta italiano havia alcançado o título continental no cavalo com alças. Trata-se também do 17º ouro registrado no arquivo da federação e do 16º em nível individual — uma sequência que interrompeu uma lacuna inaugurada desde o último ouro individual, conquistado por Matteo Morandi nas argolas em Birmingham 2010.
O triunfo de Targhetta recoloca na narrativa coletiva o legado de Alberto Busnari, que acumulou três pódios no aparelho (dois bronzes e um prata) sem alcançar o topo do continente. A vitória atual completa, em certa medida, a busca italiana por esse símbolo que faltava.
Do ponto de vista técnico, o exercício apresentado foi um compêndio de ambição e segurança: partida com 5.9 de dificuldade — uma das mais elevadas no panorama mundial — e uma saída de máximo valor que o próprio ginasta passou a assinar, agora inscrita no código internacional de pontuação e, a partir de hoje, na memória da Federginnastica. Alguns meses atrás, Targhetta já havia confirmado sua condição de campeão ao vencer a World Cup de Cottbus; em 2025, no seu debut europeu em Leipzig, subira ao terceiro degrau do pódio, com a primeira medalha continental no currículo.
Mais do que um título, o ouro em Zagreb é um ponto de inflexão: revela a capacidade de renovação técnica e de formação do sistema que sustenta a ginástica italiana. Em esportes que exigem continuidade de projetos, o gesto isolado de um atleta se converte em sinal sobre centros de treinamento, arcos de carreira e a própria cultura de alto rendimento do país.
Como analista que observa o esporte além do resultado imediato, registro que o triunfo de Gabriele Targhetta ilumina tanto o presente competitivo quanto a construção de uma memória esportiva capaz de inspirar novas gerações. Em vez de encerrar uma busca, este ouro redesenha expectativas: para a equipe técnica, para as estruturas de formação e, sobretudo, para um público que volta a ver na ginástica um campo de excelência italiana.
Assino esta matéria de Zagreb, acompanhando o desdobrar de um momento que é, simultaneamente, conquista pessoal e marco institucional.

