Gigi Buffon deixa cargo na Azzurra após saída de Gravina: 'ato de responsabilidade'
Gigi Buffon renuncia ao cargo de chefe de delegação da Itália após Gravina; alegou responsabilidade e falha no objetivo de voltar ao Mundial.
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Gigi Buffon deixa cargo na Azzurra após saída de Gravina: 'ato de responsabilidade'
O ex-goleiro e agora ex-chefe de delegação da Nazionale, Gigi Buffon, anunciou sua renúncia ao posto por meio de uma publicação no Instagram. A decisão, segundo ele, foi uma consequência direta do desfecho do ciclo que tinha como objetivo principal o retorno da Itália ao Mondiale, meta que não foi alcançada.
Buffon afirmou que apresentar sua demissão "um minuto após o fim da partida contra a Bósnia" foi um gesto espontâneo e inevitável. Em suas palavras, tratou-se de um movimento tão natural quanto as lágrimas e a sensação de angústia que, de acordo com o próprio, compartilha com torcedores e envolvidos no projeto.
Inicialmente, Buffon havia sido aconselhado a adiar a decisão para permitir uma reflexão mais ampla. No entanto, com a escolha do presidente Gabriele Gravina em recuar, o ex-capitão italiano entendeu estar liberto para assumir o que descreveu como um "ato de responsabilidade". Ele reconheceu ter construído, em curto espaço de tempo ao lado de Rino Gattuso e da sua equipa técnica, uma coesão de espírito e grupo — mas ressaltou que o prazo e o resultado não permitiram cumprir a meta do retorno ao Mundial.
Na sua mensagem, Buffon também fez um balanço das iniciativas lançadas enquanto ocupou a função. Reafirmou o orgulho em representar a Nazionale e recordou que procurou exercer o cargo com total entrega, atuando como elo de ligação entre várias camadas da formação, das categorias de base até a seleção sub-21. O objetivo, explicou, foi desenhar um percurso de formação que permita repensar como são nutridos os talentos para a futura seleção principal.
Além disso, destacou ter promovido a inserção de "poucas e importantes figuras de grande experiência" para complementar as competências já existentes na federação, com vistas a uma visão de médio e longo prazo baseada em meritocracia e especialização de funções. Buffon pediu que o julgamento sobre essas escolhas fique a cargo de quem vier a sucedê-lo e tirou da experiência lições e gratidão, mesmo diante de um desfecho doloroso.
Do ponto de vista institucional, a demissão de Buffon segue a do próprio presidente Gravina, e sinaliza um momento de transição e autocrítica para a Federação Italiana. Não se trata apenas da saída de duas figuras de destaque, mas de um ponto de inflexão que exige reflexão sobre estruturas de formação, calendários de trabalho e a janela de tempo concedida a projetos de recomposição esportiva.
Como observador das estruturas que sustentam o esporte italiano, é possível ler essas renúncias como expressão da responsabilidade coletiva — e também de uma tensão entre expectativas imediatas e construção a médio prazo. A pergunta que fica é como a Federação irá conciliar urgência por resultados com a necessidade de políticas de longo prazo para que a Itália volte a ocupar o lugar de destaque no cenário mundial. "Forza Azzurri sempre", concluiu Buffon, deixando a imagem de um dirigente que privilegiou a coerência entre palavra e gesto.