MG4 EV e MG4 Urban: mesma linhagem, personalidades distintas na era elétrica
MG4 EV e MG4 Urban: duas elétricas da mesma família, perfis distintos entre performance e praticidade urbana. Teste e diferenças em Milão–Varese.
RESUMO ✦
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MG4 EV e MG4 Urban: mesma linhagem, personalidades distintas na era elétrica
Por Otávio Marchesini, Espresso Italia — A renovada família MG4 chega com uma proposta clara: usar um nome para abrigar duas propostas elétricas distintas, evitando que uma canibalize a outra. Testamos as duas variantes num percurso entre Milão e Varese, e a experiência reforça uma leitura que vai além do design — trata-se de público, função e contexto de uso.
A primeira delas, a MG4 EV, é uma evolução contida do modelo já conhecido. À primeira vista, pouco mudou na silhueta: linhas limpas, frente baixa e uma traseira bem marcada que ajuda a conservar o traço esportivo que definiu o carro desde o início. As alterações, porém, são pensadas para o dia a dia e a percepção de qualidade: novos aros de 18 polegadas com tampas aerodinâmicas, um aerofólio traseiro monobloco e opções de cor como Ealing Green e Piccadilly Blue atualizam sem ruptura.
Em contrapartida, a MG4 Urban escolhe outro caminho. Com formas mais suaves e acolhedoras, a Urban dialoga com referências da família — notas do conceito Cyberster aparecem nos faróis e na grade —, mas assume identidade própria: barra de luz traseira em LED, spoiler de teto e assinatura luminosa que remete à Union Jack. Menos agressiva no desenho, a Urban tem apelo mais amplo, pensado para quem prioriza conforto e praticidade.
No interior, a distinção fica ainda mais clara. A MG4 EV foi alvo de um redesenho mais profundo: cabine com o Smart Cabin 2.0, tela HD sensível ao toque de 12,8 polegadas e painel digital de 10,25 polegadas. Materiais melhores — plásticos mais suaves, tecidos renovados, couro sintético e detalhes em microfibra — compõem um ambiente que mistura modernidade e usabilidade. Ainda que o carro preserve comandos físicos essenciais (clima, áudio, seletor de câmbio), o salto tecnológico é evidente. Espaço há: quatro adultos viajam com conforto, o porta-malas tem 388 litros (1.165 litros com os bancos rebatidos).
A MG4 Urban surpreende pela praticidade pura: 4,395 metros de comprimento, entre-eixos de 2,750 metros e um porta-malas de 577 litros, expansível até 1.364 litros. O banco traseiro oferece 984 mm de espaço para as pernas e são 30 espaços para objetos pela cabine — características que transformam a proposta em utilitária familiar urbana, orientada ao cotidiano.
Na motorização, a MG4 EV mantém a ambição de quem quer ser uma compacta elétrica completa: a versão Premium 64 monta bateria LFP de 64 kWh, 190 cv, tração traseira, 452 km WLTP e aceleração 0-100 km/h em 7,5 s. A Premium 77 eleva o patamar com 245 cv, bateria NMC de 77 kWh e até 545 km de autonomia. No extremo da gama, a XPower entrega tração integral, 435 cv, 600 Nm e 0-100 km/h em 3,8 s — um recado sobre as possibilidades de performance num segmento que virou campo de experimentação técnica.
A MG4 Urban, por sua vez, privilegia a tração dianteira e monta baterias LFP de 42,8 ou 53,9 kWh, configuradas com foco em eficiência, custo e facilidade de uso no ambiente metropolitano.
Mais do que escolher entre duas carrocerias, o comprador decide uma atitude diante da mobilidade elétrica: a MG4 EV fala a quem busca dinâmica e tecnologia, a MG4 Urban serve quem prioriza conforto, espaço e funcionalidade. No panorama mais amplo, a estratégia da marca é interessante — reutilizar um nome para construir sub-identidades mostra um esforço de segmentação que respeita contextos culturais e econômicos distintos. Em estradas entre cidades e bairros, a diferença entre as duas fica clara: mesma direção estratégica, almas diversas.