Assocapp se apresenta: Dossena pede reforma urgente da governança no futebol italiano

Assocapp, liderada por Beppe Dossena, pede reforma da governança do futebol italiano e fiscalização do Fundo de fim de carreira.

Assocapp se apresenta: Dossena pede reforma urgente da governança no futebol italiano

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Assocapp se apresenta: Dossena pede reforma urgente da governança no futebol italiano

ROMA, 28 de abril de 2026 — Em uma conferência de apresentação em Roma, nasceu oficialmente a Assocapp, nova associação que reúne jogadores, treinadores e preparadores físicos patrocinados. Presidida por Beppe Dossena, ex-campeão mundial em 1982, a entidade colocou no centro do debate a necessidade de uma revisão profunda dos modelos de gestão do futebol italiano.

Na intervenção inicial, Dossena afirmou que o sistema atual está ancorado em modelos de governança obsoletos e que negar a urgência de uma transformação é perpetuar estruturas que não atendem mais às exigências jurídicas, trabalhistas e sociais do esporte contemporâneo. "Le tutele dei lavoratori devono essere fondate su un modello di rappresentanza collettiva e associativa", declarou, sublinhando a centralidade da proteção laboral e da representação organizada.

A agenda proposta pela Assocapp contempla, entre outros pontos, a criação de um tavolo permanente com a FIGC e as Leghe, uma vigilância contínua sobre a gestão do Fondo di fine carriera e a defesa de direitos frequentemente negligenciados, como os direitos de imagem de atletas e profissionais. A intenção declarada é não apenas apontar falhas, mas oferecer instrumentos de pressão e de diálogo técnico para promover mudanças concretas.

O pano de fundo desta iniciativa traz também uma dimensão pessoal e institucional. Dossena, que já disputou a presidência da Associação Italiana dos Jogadores (AIC) e foi derrotado por Umberto Calcagno, assume a nova função com um discurso de renovação que não procura confrontos gratuitos, mas sim reformulação de estruturas. Sua trajetória — do campo de jogo à cadeira de representação — confere ao movimento uma combinação de autoridade moral e experiência prática.

Como analista atento às tramas que ligam esporte e sociedade, observo que a emergência da Assocapp expressa duas tensões persistentes do futebol italiano: a resistência institucional à modernização e a crescente profissionalização das carreiras esportivas. O tema do Fondo di fine carriera é emblemático: trata-se de um mecanismo financeiro pensado para amparar profissionais ao término da atividade, mas que, ao longo do tempo, acumulou dúvidas sobre transparência, eficiência e proteção real aos beneficiários.

Além da esfera econômica, a proposta de garantir os direitos de imagem e outras prerrogativas pessoais reverbera na relação entre clubes, empresas de mídia e a própria identidade dos atletas como sujeitos de direito. É uma questão que ultrapassa o campo jurídico e toca também a memória coletiva — quem controla a imagem de um jogador, controla parte da sua narrativa pública.

A iniciativa também tem um caráter pedagógico: ao reivindicar um espaço de interlocução permanente com as federações e ligas, a Assocapp pretende institucionalizar canais de transparência e participação. Se bem-sucedida, pode servir de modelo para outras categorias esportivas e contribuir para uma cultura organizacional mais alinhada com as exigências do século XXI.

Por ora, o desafio será transformar as declarações em agendas operativas e depois em normas e práticas. A resposta das instituições — FIGC, Leghe e AIC — será decisiva para medir não apenas a força política da nova associação, mas a capacidade do futebol italiano de se reinventar sem perder sua identidade histórica. Como sempre, o que está em jogo é mais do que uma administração eficiente: é o papel do esporte como espaço de trabalho, expressão cultural e bem público.

Otávio Marchesini, repórter de Esportes — Espresso Italia