Gasperini reconhece falta de 'feeling' com Massara, mas nega vetos no mercado
Gasperini admite falta de 'feeling' técnico com Massara, mas nega vetos no mercado e defende parceria entre treinador e diretor esportivo.
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Gasperini reconhece falta de 'feeling' com Massara, mas nega vetos no mercado
ROMA, 24 de abril de 2026 — Na véspera do jogo contra o Bologna, Gian Piero Gasperini abordou com franqueza a relação profissional com o diretor esportivo Massara e explicou sua visão sobre a colaboração entre técnico e direção de futebol.
Questionado sobre o modelo de gestão «à inglesa», em que o treinador teria maior autonomia, Gasperini reafirmou a importância do coletivo: "Segundo me, mais que nunca há necessidade da equipe. Em período de mercado, o treinador deve exercer seu papel junto ao diretor esportivo, é preciso saber trabalhar em conjunto. Eu acredito que Ds e técnico deveriam caminhar em dupla".
Sobre a relação pessoal com Massara, o treinador foi diplomático e preciso: "Ricky posso dizer que é uma pessoa muito boa. No aspecto técnico não tivemos feeling. Mas tudo isso sempre e apenas se refere ao time, nunca houve nada de pessoal". A afirmação busca separar o debate profissional de um eventual conflito pessoal, colocando a prioridade no interesse coletivo do clube.
Gasperini também comentou demandas feitas durante a janela de transferências: "Eu sempre pedi para reforçarmos a frente (o ataque), mas creio que é normal que um treinador novo, com uma forma diferente de jogar, faça esse tipo de pedido. Eu nunca pus vetos sobre jogadores". A declaração serve para descartar interpretações que atribuam a ele uma postura de bloqueio nas decisões de mercado.
Como analista que acompanha as estruturas do futebol italiano, cabe observar que as tensões entre técnico e diretor esportivo não são novidade no país — são, antes, parte de um debate maior sobre modelos de governança esportiva. O que Gasperini sublinha é a necessidade de clareza de papéis: o diretor esportivo como gestor e articulador, o treinador como orientador tático, ambos responsáveis por convergir objetivos técnicos e estratégicos.
Esta postura de Gasperini reflete também a tradição italiana de valorização do coletivo institucional, onde confrontos públicos raramente aliviam problemas internos. Ao insistir que não houve ações pessoais e que jamais impôs vetos, o treinador busca preservar a coesão do clube e reduzir ruídos à espera de decisões que, no fim das contas, são tomadas pensando na performance e na identidade tática da equipe.
Na prática, a mensagem é dupla: reafirma a centralidade do trabalho conjunto entre treinador e direção nas escolhas de mercado e tenta neutralizar especulações sobre atritos pessoais — uma tentativa de manter o foco do ambiente esportivo no que mais importa, o rendimento em campo e a construção coletiva do projeto do clube.