Investigação sobre árbitros: Rocchi não comparecerá ao interrogatório, AIA e Coni em foco

Rocchi não comparecerá ao interrogatório na investigação sobre árbitros; Zappi teve audiência no Colégio de Garantia do CONI. Impactos institucionais no futebol italiano.

Investigação sobre árbitros: Rocchi não comparecerá ao interrogatório, AIA e Coni em foco

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Investigação sobre árbitros: Rocchi não comparecerá ao interrogatório, AIA e Coni em foco

Gianluca Rocchi, ex-designador de arbitragem atualmente autosuspenso e alvo de inquérito por suposta frode esportiva pela Procuradoria de Milão, não irá comparecer ao interrogatório marcado para esta quinta-feira. A informação foi confirmada pelo advogado do ex-árbitro, Antonio D'Avirro, que justificou a decisão em nota oficial: "Rocchi queria se apresentar, mas eu decidi renunciar porque, no estado atual, não tendo conhecimento do fascicolo das investigações preliminares, entendo que não estou em condições de exercer eficazmente o mandato de defesa".

O anúncio marca um novo capítulo numa sequência de episódios que vêm afetando a credibilidade das estruturas de arbitragem italianas. A decisão de não comparecer ao interrogatório, ainda que respaldada pela prudência processual invocada pela defesa, projeta uma sombra sobre a capacidade das instituições de esclarecer o caso com celeridade.

Paralelamente, concluiu-se hoje, após cerca de uma hora e meia, a audiência no Colégio de Garantia do Esporte do CONI sobre o recurso de Antonio Zappi, presidente da AIA – Associação Italiana de Árbitros –, que foi inibido por 13 meses. Saindo do Coni, Zappi declarou: "Esperamos com confiança".

A sessão havia se aberto com um pedido de adiamento apresentado pelo advogado de Zappi, que foi rejeitado pelo Colegiado. O causídico Sergio Santoro alegou a possível conexão entre o processo no âmbito federativo e a investigação conduzida pela Procuradoria de Milão, postulando que os desenvolvimentos externos poderiam interferir no julgamento em curso. Em réplica, o defensor da FIGC, Giancarlo Viglione, sustentou que "não existe uma conexão direta" entre os dois procedimentos.

Como repórter e analista, é indispensável situar esses fatos num quadro mais amplo: os episódios não são apenas disputas internas ou conflitos pessoais, mas sintomas de uma crise institucional que toca a confiança pública no futebol italiano. A arbitragem, enquanto instância técnica e simbólica, ocupa papel central na percepção de justiça esportiva. Quando seus protagonistas aparecem sob suspeita, a erosão de legitimidade afeta clubes, torcedores e a própria governança do sistema.

Além disso, as articulações entre jurisdição penal e comissões esportivas evidenciam um problema estrutural: a necessidade de procedimentos transparentes e de canais formais que permitam rápida coordenação entre instâncias sem prejudicar direitos de defesa. A decisão da defesa de Rocchi — respaldada pela ausência de acesso ao inquérito — ressalta a fricção entre o direito processual e a urgência pública por respostas.

Nas próximas semanas, a evolução do caso será determinante para avaliar se as instituições conseguirão recuperar terreno em termos de credibilidade, ou se o episódio aprofundará as demandas por reformas na gestão da arbitragem. Para além dos nomes, o que está em jogo é a capacidade do sistema esportivo italiano de traduzir normas em práticas confiáveis e aceitáveis socialmente.

Continuarei acompanhando os desdobramentos do caso, com atenção às decisões judiciais e aos posicionamentos das entidades envolvidas.