Sinner celebra com hambúrguer e batatas fritas em Roma e já mira o teste do quinto set no Roland Garros

Sinner comemora em Roma com hambúrguer e batatas; agora prepara‑se para o teste do quinto set no Roland Garros, após vitória nos Internazionali d'Italia.

Sinner celebra com hambúrguer e batatas fritas em Roma e já mira o teste do quinto set no Roland Garros

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Sinner celebra com hambúrguer e batatas fritas em Roma e já mira o teste do quinto set no Roland Garros

Por Otávio Marchesini — Depois da exaustiva sequência que o levou de Indian Wells ao Foro Italico, Jannik Sinner permitiu‑se uma celebração simples e ritualizada: hambúrguer, batatas fritas e uma Coca‑Cola na suíte do Cavalieri, em Monte Mario. No centro da mesa, a taça dos Internazionali d'Italia e uma torta de chantili com framboesas com a inscrição «champion». A vitória do que já se configura como o seu quinto Masters 1000 da temporada nasceu também dessa rotina repetida, uma espécie de conforto em meio ao turbilhão competitivo.

O caminho até o trono de Adriano Panatta — que 50 anos antes tornara emblemática a vitória italiana naquele torneio — começou com um sobressalto: uma ligação de última hora para Angelo Binaghi, presidente da Federação Italiana de Tênis. Telefones perto de torneios costumam trazer más notícias, mas a demanda era prática: adiar a estreia de Sinner de sexta para sábado. Pedido atendido.

Com a taça no bagageiro de recordações, o rapaz dourado partiu de Roma para três dias de descanso antes da grande etapa em Paris. Houve golfe e um jogo de futsal para descarregar a tensão de Madri, um encontro nos bastidores com Paolo Maldini e, num gesto simbólico, a saudação às instituições — em especial ao presidente Mattarella — que reforçou a dimensão histórica daquela conquista: sem Panatta, escrita e memória teriam outro peso.

No plano esportivo, os sinais foram mistos. A temporada de Jannik Sinner começou em 7 de março, em Indian Wells, e desde então ele não parou. Depois da semifinal contra Novak Djokovic na Austrália e do tropeço com Mensik em Doha, o italiano construiu uma série que chegou a 29 vitórias consecutivas e totalizou 34 triunfos em seis Masters 1000 atravessando temporadas. Essa sucessão de partidas, porém, deixou marcas: a sensação dominante em Roma foi a de cansaço.

O teste final no Foro, contra Daniil Medvedev, foi exemplar desse desgaste. O russo, conhecido por sua abordagem quase «xadrezística», impôs ao duelo uma intensidade de fundo de quadra que se estendeu por 2h37’ distribuídas em dois dias. «A única maneira de vencê‑lo é do fundo de quadra», disse Medvedev; «para fazer o ponto, você tem que produzir muitos golpes». Assim foi: Sinner sofreu, mas também fez o adversário sofrer. E, hoje, com dois sets em melhor de três, ele dificilmente encontra rivais à altura no circuito.

Agora a narrativa muda de formato: vai para o Roland Garros, onde o combate é em melhor de cinco sets, um degrau diferente no videogame competitivo que Sinner precisa vencer. A partida em Paris exigirá não só fôlego físico, mas leitura tática e gestão emocional — e é precisamente aí que a história do jogador se encontra com as expectativas coletivas sobre a nova geração do tênis italiano.

O pouso de Jannik na França está previsto para quinta‑feira, dia do sorteio do chaveamento, com estreia marcada para segunda ou terça‑feira da semana seguinte. No Bois de Boulogne, além do desafio esportivo, haverá também uma mudança estética: o jovem campeão deverá ajustar o visual e o equipamento, numa espécie de transição simbólica antes do grande teste do quinto set.

Mais do que um campeão, Sinner representa hoje um ponto de encontro entre tradição e renovação: ritual pessoal, respeito pelas instituições, capacidade de resistir à fadiga de um calendário implacável e o desafio de confirmar, nas maratonas do Grand Slam, que o seu lugar no pódio é consistente e duradouro.