Thomas Biagi: «Acredito em Kimi Antonelli; é o primeiro em 30 anos que me lembra Senna»

Thomas Biagi elogia Kimi Antonelli, compara-o a Senna e pede que destrua Russell nos próximos GPs para garantir vantagem rumo ao título.

Thomas Biagi: «Acredito em Kimi Antonelli; é o primeiro em 30 anos que me lembra Senna»

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Thomas Biagi: «Acredito em Kimi Antonelli; é o primeiro em 30 anos que me lembra Senna»

Thomas Biagi, figura conhecida do automobilismo italiano e campeão de kart e de carros, traça um retrato cuidadoso e carregado de afeto sobre Kimi Antonelli, jovem talento de Bolonha. Em entrevista após a segunda vitória consecutiva do piloto, Biagi não esconde a admiração: vê em Antonelli traços que evocam lendas do passado e aponta a batalha psicológica que o jovem deve travar para alcançar o título.

Quando questionado sobre o futuro após mais uma vitória, Biagi foi direto: «Acredito muito em Kimi, sempre acreditei. Vejo-o quase como um filho. Gosto muito dele; ele acompanha as minhas colunas desde pequeno. Emociono-me ao vê-lo obter grandes resultados porque ele é o primeiro piloto em trinta anos que me faz lembrar o Senna. Conheci Ayrton e, em Kimi, revejo a mesma humanidade e a doçura na relação com os fãs».

Vencer é difícil; confirmar-se é mais ainda. O que significa este bis consecutivo? Para Biagi, a sequência de resultados confirma uma tendência já visível desde a China: esta temporada apresenta a Kimi Antonelli uma oportunidade singular para lutar pelo título mundial. Moradores próximos — ambos residem a curta distância em San Marino —, Biagi confessa que, se tivesse cruzado o piloto nesses dias, teria partilhado um único conselho, incisivo e tático.

«Minha indicação seria: destruir mentalmente o Russell nestes cinco Grandes Prémios. O inglês está como um pugilista encurralado no canto: já sofreu dois golpes fortes e, se receber mais três, não se levanta. Kimi precisa provar ao companheiro de equipa o quão forte é e garantir desde já uma vantagem decisiva para a luta pelo título. Hoje, Kimi tem o mundo nas mãos».

Para Biagi, o ponto forte do jovem é a gestão da pressão: «À idade dele, é formidável. Já o fazia no ano passado e, agora, evoluiu ainda mais neste aspeto. Possui uma enorme força mental». Recorda, com sobriedade, os próprios 25 anos e o tempo em que corria pela Maserati com Jean Todt: isso serve para dimensionar a maturidade precoce de Kimi.

A evolução física também chama a atenção: «No período de pausa, fez uma preparação impressionante. Basta observá-lo fisicamente: tem uma estrutura diferente em comparação com doze meses atrás». Biagi sublinha que, além da condição física, a pilotagem moderna exige preparação técnica fina — «um piloto hoje tem de ser também um engenheiro». Nesse sentido, Kimi Antonelli não só trouxe talento, mas conciliou-o com a preparação necessária para pressionar desde o início o rival e alterar as relações de força dentro da equipa.

Quanto à formação humana, Biagi confirma conhecer a família de Kimi e valoriza os princípios transmitidos pelos pais: «Esses valores serão determinantes para o manter com os pés no chão. Se permanecer fiel a si mesmo, não terá problemas». O ex-piloto recorda ainda um episódio ligado à trajetória do jovem: em 2016 venceu uma prova no Motor Show com o pai de Kimi, Marco, e guardou memórias da humildade e do contexto familiar que moldaram o caráter do piloto.

O retrato traçado por Thomas Biagi é, portanto, duplo: de um lado, a convicção técnica e estratégica de um treinador/observador; do outro, o afeto quase paternal de quem acompanha um percurso desde a base. Numa Itália onde o automobilismo é também narrativa coletiva, Kimi Antonelli surge como uma figura capaz de reavivar memórias — e, ao mesmo tempo, de escrever uma nova página.