Acordo entre Estados Unidos e Irã põe fim imediato ao conflito; Meloni diz: 'Prontos para missão em Hormuz, depende do Parlamento'

Acordo entre Estados Unidos e Irã anuncia fim do conflito; Genebra recebe assinatura e reabertura do Estreito de Hormuz aguarda aval parlamentar.

Acordo entre Estados Unidos e Irã põe fim imediato ao conflito; Meloni diz: 'Prontos para missão em Hormuz, depende do Parlamento'

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Acordo entre Estados Unidos e Irã põe fim imediato ao conflito; Meloni diz: 'Prontos para missão em Hormuz, depende do Parlamento'

Por Marco Severini — A assinatura de um acordo entre Estados Unidos e Irã marca, nas palavras oficiais de Teerã, a "fim imediato e permanente da guerra" que abalou a região nas últimas semanas. O anúncio, confirmado por autoridades iranianas e americanas e antecipado por mediação do primeiro‑ministro paquistanês Shehbaz Sharif, configura um movimento decisivo no tabuleiro da geopolítica do Golfo.

O vice‑ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Kazem Gharibabadi, afirmou que, apesar de permanecerem dossiês abertos, trata‑se de uma virada significativa no conflito. A assinatura final está marcada para sexta‑feira, 19 de junho, em Genebra, cerimônia à qual deverá comparecer o suposto vice‑presidente americano JD Vance; o presidente Donald Trump não foi descartado como possível presença.

Em Teerã, o Estado‑Maior — por intermédio do comando central conhecido como Khatam al‑Anbiya — saudou o desfecho como uma vitória: "o povo iraniano e suas forças armadas provaram sua resiliência e forçaram os inimigos a aceitar a derrota", disse o comunicado publicado pela agência oficial Irna. A narrativa iraniana enfatiza que o adversário exterior teve de capitular diante da imposição da vontade estratégica de Teerã.

De Washington, a confirmação foi igualmente pública e performativa. O presidente Trump escreveu em sua plataforma que "o acordo com a República Islâmica do Irã está agora completo" e anunciou a reabertura do Estreito de Hormuz e a revogação do bloqueio naval dos Estados Unidos. Segundo a Casa Branca, no entanto, a navegabilidade plena será restaurada somente após a assinatura e as subsequentes operações de sminamento da área.

Trump declarou, de forma enfática, que as "naves de todo o mundo podem voltar a navegar" e advertiu que, caso Teerã não chegue a um consenso definitivo sobre seu programa nuclear, Washington reserva‑se o direito de retomar operações militares. Esse jogo de cenários mostra o equilíbrio tênue entre diplomacia e coerção — a velha tática de deixar a porta aberta para a força enquanto se consolida um acordo.

No campo diplomático europeu, a primeira‑ministra italiana Giorgia Meloni afirmou que Roma está "pronta para integrar uma missão destinada a reabrir o Estreito de Hormuz", mas sublinhou que qualquer participação requer o aval do Parlamento italiano. É um lembrete da arquitetura interna democrática que ancora as decisões externas: alianças externas dependem de alicerces legislativos internos.

Os reflexos econômicos foram imediatos. O preço do petróleo recuou mais de 5% após a notícia, revertendo parte da escalada provocada pelo bloqueio do estreito — rota por onde normalmente transita cerca de um quinto do comércio mundial de hidrocarbonetos. Os principais mercados asiáticos reagiram com forte otimismo: Tóquio avançou acima de 4%, Seul mais de 5%, e os índices chineses também fecharam em alta. Metais preciosos, por sua vez, registraram valorização.

Este acordo, se ratificado na cerimônia de Genebra, reconfigura momentaneamente a tectônica de poder no Oriente Médio: era um movimento calculado, executado com uma combinação de diplomacia discretíssima e pressão estratégica. Ainda assim, as linhas divisórias não desaparecem automaticamente; restam negociações sobre o programa nuclear iraniano e garantias de segurança que serão o próximo foco no longo tabuleiro das negociações.