Consenso da AfD sobe para 40% em Saxônia-Anhalt; multidão ocupa Magdeburgo pelo 'Festival da Democracia'
AfD atinge 40% em Saxônia-Anhalt; multidões protestam em Magdeburgo no 'Festival da Democracia' antes das eleições regionais.
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Consenso da AfD sobe para 40% em Saxônia-Anhalt; multidão ocupa Magdeburgo pelo 'Festival da Democracia'
Por Marco Severini — À vigília das eleições regionais que mobilizam a atenção política da Alemanha, o AfD aparece como favorito nas sondagens para o governo do Land Saxônia-Anhalt, com apoio estimado na ordem dos 40–42%. O cenário traduz um movimento decisivo no tabuleiro político: uma possível virada sem precedentes no alicerce das coalizões alemãs e um redesenho de fronteiras invisíveis na tática parlamentar.
O Land, com capital em Magdeburgo, abriga cerca de 2,2 milhões de habitantes, dos quais cerca de 1,7 milhão são eleitores habilitados. Liderando a corrida pelo partido de extrema-direita está o popular candidato Ulrich Siegmund, cuja plataforma atraente para partes do eleitorado local transformou o AfD no ator principal desta partida política. Observadores recordam que o partido é visto com simpatia por segmentos do mundo MAGA e pela Rússia de Vladimir Putin, o que acrescenta uma dimensão geopolítica às consequências de uma eventual vitória.
Até o momento, as formações tradicionais declararam pública e formalmente que não pactuarão com a extrema-direita — salvo a exceção do movimento Buendnis Sarah Wagenknecht (BSW), partido nascido de uma cisão de Die Linke há cerca de dois anos e meio, cujo posicionamento interno quanto a coligações permanece dividido. O BSW é frequentemente apontado como próximo, em linhas ideológicas, a Moscou, o que amplifica inquietações sobre influências externas e alinhamentos estratégicos.
Num gesto tático que sinaliza flexibilidade, Ulrich Siegmund afirmou ao diário Bild que, embora anteriormente tivesse defendido governar apenas com maioria absoluta, agora não descarta assumir a chefia do governo do Land com uma maioria relativa. Questionado sobre a hipótese de vencer por apenas um voto, Siegmund respondeu: "Veremos na segunda-feira, vamos ver como vai terminar". Em tom pragmático e com uma imagem que mistura ironia e cálculo institucional, acrescentou que o importante é dispor de uma "maioria estável" no Landtag — não se pode permitir que o funcionamento do parlamento seja paralisado por ausências por motivos de saúde, afirmou, evocando a necessidade de governabilidade.
Ao mesmo tempo, apesar do silêncio eleitoral, milhares de cidadãos se reuniram hoje na praça da catedral de Magdeburgo para o "Festival da Democracia", uma mobilização civil que congregou mais de trezentas associações sob o estandarte "Sachsen-Anhalt Weltoffen" — tradução literal: "Saxônia-Anhalt aberta ao mundo". ONG's, ativistas climáticos, sindicatos, representantes das igrejas católica e evangélica, as "Omas gegen Rechts" (avós contra a direita) e delegações dos Länder do leste — de Berlim a Brandemburgo, Saxônia e Turíngia — ocuparam o espaço público em demonstração de resistência cívica.
Do ponto de vista estratégico, trata-se de um momento de tectônica de poder: a possibilidade de uma guinada para a direita extrema nas instituições regionais abre desafios imediatos à estabilidade das coalizões federais e ao equilíbrio de referências externas. A sociedade civil, ao se mobilizar, procura reforçar os alicerces frágeis da democracia regional e identificar linhas de contenção política.
O desfecho das eleições em Saxônia-Anhalt terá, portanto, repercussões que transcendem o Land: seja qual for o resultado, teremos um novo movimento no tabuleiro europeu, exigindo decisões prudentes e um redesenho cuidadoso das estratégias diplomáticas e partidárias.

