Ex-consultor de Zelensky, Andriy Yermak, é preso em investigação por esquema milionário de corrupção na Ucrânia

Ex-chefe de gabinete de Zelensky, Andriy Yermak, é preso por suspeita de esquema milionário de corrupção ligado a projeto imobiliário e setor energético.

Ex-consultor de Zelensky, Andriy Yermak, é preso em investigação por esquema milionário de corrupção na Ucrânia

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

Ex-consultor de Zelensky, Andriy Yermak, é preso em investigação por esquema milionário de corrupção na Ucrânia

Por Marco Severini – Em um movimento que altera peças no tabuleiro da política ucraniana, a Alta Corte Anticorrupção da Ucrânia determinou a detenção preventiva do ex-chefe de gabinete e principal conselheiro do presidente Volodymyr Zelensky, Andriy Yermak, sob suspeita de envolvimento em uma ampla rede de corrupção e apropriação indevida de recursos públicos.

Yermak, 54 anos, que ocupou a posição de maior influência no entorno presidencial entre 2020 e o final de 2025, deixou o cargo em novembro passado, após buscas em sua residência realizadas por autoridades anticorrupção no âmbito de uma investigação sobre supostos desvios no setor energético. A prisão preventiva foi fixada por 60 dias a contar da data do efetivo encarceramento, segundo decidiu o tribunal durante audiência transmitida ao vivo.

Os magistrados também estipularam a possibilidade de libertação mediante pagamento de caução no valor de 140 milhões de grivne, cerca de 3,16 milhões de dólares. Yermak declarou na audiência: "Resto firme na minha posição. Contestarei todas as acusações"; trajava um paletó com uma insígnia nas cores da bandeira ucraniana e disse acreditar que a defesa apresentará recurso. Indagado sobre a capacidade de pagar a fiança, respondeu: "Não tenho todo esse dinheiro. Não esperava por isso".

De acordo com a acusação, o ex-conselheiro teria integrado um esquema que teria lavado aproximadamente 460 milhões de grivne, equivalentes a cerca de 10,3 milhões de dólares, por meio de um projeto imobiliário de alto padrão nos arredores de Kiev. O caso emerge em um momento sensível: a imagem do governo ucraniano, já tensionada pelo conflito com a Rússia, sofre novo abalo com acusações que atingem uma figura até então central na administração.

O escândalo tem raízes na investigação conduzida no ano anterior pela agência anticorrupção NABU, que revelou um caso abrangente de irregularidades no setor energético — área particularmente vulnerável em um país em guerra. Fontes judiciais indicam que possíveis ramificações envolvem outros altos funcionários, situação que pode redesenhar, de forma invisível, eixos de influência dentro do Estado.

Até o momento, o presidente Volodymyr Zelensky optou por não se manifestar publicamente sobre a detenção, o que reflete uma posição cautelosa no manejo de uma crise institucional capaz de fragilizar os alicerces da diplomacia ucraniana em plena emergência geopolítica.

Como analista, vejo este episódio como um movimento decisivo no tabuleiro político: não se trata apenas da responsabilização individual, mas do teste da resiliência institucional num contexto em que a tectônica de poder exige transparência para manter legitimidade interna e apoio externo. A investigação e o eventual processo serão litígios que orientarão os próximos lances — na arena judicial e na diplomacia silenciosa que sustenta alianças estratégicas.

À medida que o caso progride, a atenção recai sobre a capacidade das instituições ucranianas de conduzir um julgamento equitativo e eficaz, preservando ao mesmo tempo a estabilidade necessária para enfrentar a guerra e as pressões internacionais. A peça Yermak, por ora, encontra-se numa casa de prisão preventiva; o jogo legal e político adiante determinará a configuração das próximas jogadas.