Anghileri (Confindustria): ‘Exportamos nossos empreendedores junto com as mercadorias; a IA deve servir às pessoas, não o contrário’
Maria Anghileri no 55º Convegno Confindustria: frear a fuga de cérebros, IA a serviço das pessoas e urgência de defesa e transição energética.
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Anghileri (Confindustria): ‘Exportamos nossos empreendedores junto com as mercadorias; a IA deve servir às pessoas, não o contrário’
Marco Severini — No 55º Congresso dos Jovens Empresários da Confindustria, realizado em Rapallo sob o lema “PEOPLE”, a presidente Maria Anghileri desenhou um diagnóstico firme sobre os desafios estratégicos que ameaçam o futuro produtivo da Itália. Em um discurso que navegou entre a reflexão cultural e a análise política, Anghileri propôs medidas concretas para frear a fuga de cérebros, reverter a queda demográfica e colocar a inteligência artificial a serviço do capital humano.
Abrindo os trabalhos com uma pergunta emprestada de um filme de Paolo Sorrentino — “de quem são os nossos dias?” — a presidente dos jovens empresários evocou a promessa de futuro que deveria orientar as escolhas coletivas. “Fazemos isto porque, dentro de nós, existe uma promessa. Uma promessa de futuro”, disse Anghileri, sublinhando a fratura que hoje corrói essa promessa nos pontos mais sensíveis: os jovens e as novas empresas.
No tom que exige decisões de Estado, ela lembrou que a recuperação da confiança entre as novas gerações passa por políticas coerentes de incentivo ao empreendedorismo, apoio fiscal e estabilidade regulatória. “Devemos devolver aos jovens a confiança na perspectiva do seu futuro: a certeza de que empenhar-se e arriscar ainda fazem sentido”, afirmou. Trata-se, nas suas palavras, de restituir aos cidadãos a capacidade de escolher livremente onde viver, quando fundar uma empresa, quando constituir uma família — escolhas que definem o tecido social e económico de uma nação.
Anghileri também colocou a questão geopolítica no centro da agenda: vivemos um tempo em que as tessituras das cadeias de valor e as linhas de fornecimento são afetadas por conflitos e deslocamentos de poder. Numa imagem de cartografia estratégica, alertou para a necessidade de que a Europa recupere coerência política e invista em sua própria defesa — a paz, disse, é construída e protegida, não é um dado adquirido.
No plano tecnológico, a presidente dos jovens empresários fez uma advertência que reverbera como um princípio de prudência: a inteligência artificial não pode converter-se em um fim autônomo. A inovação deve permanecer um instrumento ao serviço das pessoas, preservando emprego qualificado, dignidade profissional e o espaço para a iniciativa humana. Este é um chamado à responsabilidade: regular, educar e orientar a transição digital sem sacrificar o capital humano no altar da eficiência a qualquer custo.
Anghileri não omitiu as dificuldades da transição energética, ressaltando que as políticas terão de equilibrar ambição climática com a segurança das cadeias industriais e a proteção do emprego. Em sua visão, a transformação energética é um tabuleiro em que cada movimento requer coordenação entre Estados, empresas e comunidades, sob pena de criar fissuras econômicas e sociais.
Ao concluir, a presidente enfatizou que a Itália não pode assistir passivamente à exportação dos seus talentos: “Estamos, com as nossas mercadorias, a exportar também os nossos empreendedores”, disse, convocando governo e sociedade civil a construir alicerces mais sólidos para reter e atrair talentos. É uma chamada de Realpolitik, onde o objetivo é garantir competitividade e coesão social simultaneamente.
Como analista, vejo nesta intervenção um movimento decisivo no tabuleiro: se a Europa quiser manter autonomia estratégica e prosperidade, a reconciliação entre tecnologia, defesa, políticas demográficas e apoio à juventude não é uma opção — é uma necessidade estrutural. Anghileri ofereceu não apenas um diagnóstico, mas um roteiro de prioridades. O desafio agora é transformar palavras em políticas coordenadas, com a serenidade de quem reconstrói alicerces clássicos para uma nova arquitetura de poder económico e social.