EUA aprovam pacote de US$400 milhões para a Ucrânia — sem mísseis Patriot; ataques com drones deixam mortos em Kiev

EUA liberam US$400 mi à Ucrânia sem mísseis Patriot; ataques com drones em Kiev deixam sete mortos e elevam tensão geopolítica.

EUA aprovam pacote de US$400 milhões para a Ucrânia — sem mísseis Patriot; ataques com drones deixam mortos em Kiev

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

EUA aprovam pacote de US$400 milhões para a Ucrânia — sem mísseis Patriot; ataques com drones deixam mortos em Kiev

Por Marco Severini — Em um movimento que redesenha, ainda que parcialmente, as linhas de apoio ocidental à Ucrânia, a administração Trump confirmou a liberação do pacote de 400 milhões de dólares destinado a Kyiv, porém sem a inclusão dos mísseis para os sistemas de defesa aéreo Patriot. A decisão ocorre num momento de crescente pressão no teatro ucraniano: relatos oficiais apontam para um alerta aéreo em Kiev e em várias regiões do país, devido à persistente ameaça de drones e foguetes.

Guia Italia + — O conteúdo continua após a publicidade.

Continuação do Conteúdo ↘

Fontes citadas pela Reuters e pela RBC-Ucrânia indicam que a administração assumiu a obrigação legal de gastar a totalidade dos fundos aprovados pelo Congresso no final de 2025. Até o início desta semana, já haviam sido liberados US$307 milhões; os US$93 milhões restantes devem ser desembolsados até o encerramento do ano fiscal, em 30 de setembro, segundo interlocutores.

As primeiras remessas, iniciadas ao longo deste mês, incluem armamento ofensivo, equipamentos e peças de reposição para viaturas blindadas. Agências informam que as entregas complementares estão previstas para conclusão até outubro. No entanto, chama atenção a exclusão dos mísseis que equipam os Patriot, mesmo diante dos ataques russos que vêm empregando drones e projéteis balísticos contra centros urbanos ucranianos.

No front humanitário, Kiev sofreu hoje novos ataques que elevaram para sete o número de mortos: um ataque de drone atingiu um prédio de escritórios, resultando também em 46 feridos, entre os quais um adolescente de 14 anos. O impacto desses ataques reforça a percepção de vulnerabilidade das defesas aéreas ucranianas e coloca em evidência a tensão entre necessidades militares imediatas e prioridades políticas de fornecimento de armamento.

Do ponto de vista diplomático, foram registrados gestos e viagens com reflexos geopolíticos: Kirill Dmitriev, representante especial do Kremlin para investimentos e cooperação econômica externa, chegou a Nova York para uma rodada de conversas. No mesmo cenário da Assembleia Geral das Nações Unidas, fontes da Bloomberg relatam que o Presidente Donald Trump reiterou a convocação a Volodymyr Zelensky para que este se desloque a Moscou para um encontro direto com Vladimir Putin — proposta que já havia sido rejeitada anteriormente por Kyiv.

O discurso oficial russo também voltou a se endurecer em termos pessoais. Maria Zakharova, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, proferiu acusações severas contra o Presidente ucraniano, qualificando Volodymyr Zelensky com termos depreciativos e descrevendo-o como uma figura desprovida de dignidade, dependente de substâncias ilícitas e caracterizando-o como um "terrorista" em declarações reproduzidas por meios russos. Essas denúncias alimentam a guerra de narrativas que acompanha o conflito e moldam o clima político que envolve negociações e pressões internacionais.

Na lógica do equilíbrio de poder — ou, se preferirmos, do tabuleiro —, estamos diante de um movimento calculado: Washington assegura os recursos aprovados pelo Legislativo, mas com cortes estratégicos que limitam certas capacidades defensivas de Kyiv, enquanto Moscou intensifica tanto a pressão militar quanto a retórica. O resultado é uma tectônica de poder em que as linhas de frente físicas são acompanhadas por um redesenho de fronteiras invisíveis entre cooperação, contenção e cálculo político.

Em suma, o anúncio dos US$400 milhões confirma a continuidade do apoio material norte-americano, mas o vazio deixado pela ausência dos Patriot e a escalada de ataques em Kiev realçam as fragilidades da defesa ucraniana e a complexidade estratégica que os atores internacionais enfrentam neste momento.

Guia Italia + — O conteúdo continua após a publicidade.

Continuação do Conteúdo ↘