Artemis II: Hansen descreve a sensação de 'cair do céu' enquanto Orion avança rumo à Lua

Artemis II: Jeremy Hansen descreve sensação de 'cair do céu' enquanto Orion avança rumo à Lua e se prepara para entrar na esfera de influência lunar.

Artemis II: Hansen descreve a sensação de 'cair do céu' enquanto Orion avança rumo à Lua

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Artemis II: Hansen descreve a sensação de 'cair do céu' enquanto Orion avança rumo à Lua

Por Marco Severini — Em um relato de equilíbrio entre admiração técnica e consciência estratégica, o astronauta canadense Jeremy Hansen, a bordo da missão Artemis II, descreveu em videoconferência a impressão singular de "cair do céu" enquanto a cápsula Orion traçava sua complexa rota rumo à Lua. A declaração ocorre após a tripulação ultrapassar o ponto médio entre a Terra e a Lua, a mais de 241.000 quilômetros do planeta natal.

Hansen, de 50 anos, ex-piloto de caça e membro do corpo de astronautas desde 2009, compartilhou com clareza diplomática as sensações e observações coletivas: "No intervalo entre um breve cochilo e o despertar, a Terra já estava tão distante". Ele dividia a sessão de perguntas com os colegas americanos Victor Glover e Reid Wiseman, em uma atividade organizada pela Agência Espacial Canadense (CSA).

O momento que mais chamou a atenção ocorreu logo após a manobra de injeção translunar, procedimento propulsivo que coloca a Orion numa trajetória de saída, a partir de uma órbita situada em torno de 200 quilômetros da Terra, rumo ao campo gravitacional lunar. "Tive a sensação de que estávamos precipitando do céu em direção à Terra e disse a Reid: 'parecia que íamos nos chocar'", relatou Hansen. "É inacreditável. Nós a esquivamos. Estava tão perto. Foi realmente fenomenal."

Do ponto de vista de estratégia espacial — e com a frialdade de um analista que observa movimentos no tabuleiro — trata-se de uma manobra decisiva: cruzar o limiar entre as influências gravitacionais do nosso planeta e do satélite natural altera o controle do segmento orbital e redefine as janelas de comunicação e de observação.

Segundo a Nasa, a próxima fase, prevista para o quinto dia de uma missão de dez dias, será a entrada na esfera de influência lunar, quando a gravidade da Lua se torna dominante sobre a da Terra. A expectativa da tripulação é observar de perto o lado oculto do satélite e registrar um eclipse solar visto por trás da superfície lunar — um fenômeno que Hansen classificou como "realmente fantástico".

O roteiro operacional prevê que, ao sobrevoar a Lua até aproximadamente 9.600 quilômetros de altitude, a equipe enfrentará um blackout de comunicações com a Terra estimado entre 30 e 50 minutos. Durante cerca de seis horas, serão feitas imagens e observações científicas do lado oculto, que serão transmitidas e analisadas quando os laços de rádio forem restabelecidos.

Sobre a dimensão humana deste empreendimento, Hansen, pai de três filhos, deixou um conselho: seguir paixões, mas sempre com a consciência de que grandes feitos exigem uma grande equipe. "Para realizar coisas como viajar ao redor da Lua, serve uma grande equipe por trás. Isso vale para todos nós", afirmou com a sobriedade de quem entende alicerces e estruturas de poder.

O plano de retorno — o retorno trans-terrestre — está previsto entre 7 e 9 de abril: quatro dias previstos para aproveitar a gravidade terrestre como uma catapulta que trará a Orion de volta. Em termos geopolíticos e científicos, esta missão não é apenas um voo; é um redesenho temporário de fronteiras e influências, uma pequena tectônica de poder entre Terra e Lua no qual atores internacionais e técnicas de alto risco se encontram.

À medida que Artemis II avança, o mundo observa com a atenção de quem estuda movimentos decisivos no tabuleiro estratégico: cada manobra, cada blackout e cada imagem do lado oculto compõem um registro que ampliará o mapa da cooperação e da competição espacial nas próximas décadas.