Assassinato de “Lady Brexit” Anne Widdecombe: ex-deputada do Reform UK morta com 21 golpes de martelo

Anne Widdecombe, a 'Lady Brexit', foi morta no Devon com 21 golpes de martelo; suspeito preso e caso segue para o Old Bailey.

Assassinato de “Lady Brexit” Anne Widdecombe: ex-deputada do Reform UK morta com 21 golpes de martelo

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Assassinato de “Lady Brexit” Anne Widdecombe: ex-deputada do Reform UK morta com 21 golpes de martelo

Por Marco Severini — Em um episódio que reconfigura, mais uma vez, os contornos da segurança e do discurso público no Reino Unido, a veterana conservadora Anne Widdecombe, 78 anos, conhecida pela alcunha de Lady Brexit, foi brutalmente assassinada em sua residência no condado de Devon. O promotor detalhou, em audiência na Westminster Magistrates' Court, que a ex-deputada foi atingida na cabeça com um martelo 21 vezes. O crime ocorreu em 8 de julho; o corpo foi encontrado no dia seguinte na casa situada nas proximidades do Parque Nacional de Dartmoor.

O acusado é Joshua Kerry, de 28 anos, preso em Rotherham, no condado de South Yorkshire, e indiciado por homicídio. Segundo a acusação, Kerry teria chegado à casa de Widdecombe em uma Vauxhall Corsa vermelha, entrado pela porta da frente enquanto ela almoçava, permanecido no local por cerca de dois minutos e desferido múltiplos golpes com o martelo, antes de roubar a carteira da vítima e fugir. Após a detenção, o suspeito foi colocado em custódia e encaminhado para comparecer na Corte Penal Central de Londres, o Old Bailey.

O caso teve, momentaneamente, uma transição de esfera investigativa: as autoridades chegaram a envolver a unidade de antiterrorismo após a prisão do jovem, embora os investigadores tivessem inicialmente descartado, nas fases preliminares, um motivo de natureza política. Um homem de 26 anos, detido em 10 de julho em conexão com o caso, foi liberado no dia 11 e não é mais objeto de investigação pela polícia do Devon e da Cornualha.

Do ponto de vista biográfico e estratégico, a morte de Anne Widdecombe representa um choque simbólico no tabuleiro conservador britânico. Eleita por 23 anos no distrito de Maidstone (Kent), Widdecombe serviu como subsecretária e depois ministra durante o governo de John Major (1992–1997). Após carreira parlamentar que se estendeu até 2010, ela migrou do Partido Conservador para a órbita mais soberanista de Nigel Farage, atuando como porta-voz de imigração e justiça no movimento que começou como Brexit Party e evoluiu para o Reform UK.

Widdecombe construiu também uma presença pública na televisão e uma postura política intransigente em temas culturais e morais: converteu-se ao catolicismo, declarou-se contrária à ordenação de mulheres na Igreja da Inglaterra, opôs-se ao aborto e à equiparação da idade de consentimento entre relações homossexuais e heterossexuais, e chegou a defender medidas duras sobre detenção, incluindo a prática controversa de algemar presas grávidas durante o parto para evitar fugas.

Enquanto o processo segue rumo ao Old Bailey, o episódio exige uma leitura fria e estratégica: trata-se de uma movimentação decisiva no tabuleiro da segurança interna e do discurso político britânico, que pode recalibrar os alicerces frágeis da convivência pública entre opiniões polarizadas e o dever de proteção ao indivíduo. A investigação e o julgamento serão peças-chave para conter os efeitos políticos e sociais dessa violência.