Ataque iraniano atinge o centro de Israel; Trump ameaça centrais elétricas e Teerã reage
Ataque iraniano atinge centro de Israel; Trump ameaça centrais elétricas e Teerã avisa de retaliação contra infraestruturas norte-americanas na região.
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Ataque iraniano atinge o centro de Israel; Trump ameaça centrais elétricas e Teerã reage
Por Marco Severini — Em um novo e grave episódio da escalada regional, o Irã lançou mísseis que atingiram o centro do território de Israel, enquanto, no norte, alarmes aéreos soaram novamente por lançamentos de foguetes de Hezbollah vindos do sul do Líbano. Fontes do canal 12 reportam ao menos um ferido.
Durante a madrugada, áreas da cidade de Holon, na periferia metropolitana ao sul de Tel Aviv, sofreram danos causados por um ataque com bombas cluster; uma escola da cidade também foi atingida. As Forças de Defesa de Israel (IDF) confirmaram que mísseis iranianos atingiram o centro do país, sem, no entanto, precisar as localidades afetadas ou o número exato de projéteis que caíram.
"As forças de busca e salvamento do Comando da Frente Interna estão se dirigindo às zonas de impacto no centro de Israel. O público é convidado a evitar se reunir nessas áreas", publicou o organismo militar em sua conta no Telegram às 6h26 (hora italiana).
No plano de retaliação, as IDF anunciaram ter lançado uma nova onda de ataques contra alvos do regime iraniano "no coração de Teerã" na manhã de hoje, embora ainda não haja informações detalhadas sobre o alcance operacional dessas ações.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou ainda mais o tom do confronto ao publicar em sua plataforma 'Truth' uma ameaça direta: se o Irã fechar completamente o Estreito de Hormuz nas próximas 48 horas, os EUA "atingirão e destruirão suas várias centrales elétricas, começando pela maior". A declaração aumentou a tensão numa região já de alicerces diplomáticos frágeis.
Dados de fonte open-source, o Open Infra Map, indicam que o Irã possui cerca de 110 centrais a gás, além de uma matriz energética que inclui usinas solares, hidrelétricas, eólicas, petrolíferas, a diesel, carvão, geotérmicas e nucleares. Esse panorama demonstra a complexidade de um eventual ataque a infraestruturas críticas.
Autoridades militares iranianas responderam que, caso suas infraestruturas energéticas e petrolíferas sejam atacadas, todas as instalações energéticas estadunidenses na região seriam alvos. As Forças Armadas do Irã — que reúnem Exército, Guardiões da Revolução e forças policiais — também ameaçaram infraestruturas informáticas e plantas de dessalinização.
Em declaração citada pela agência local, o primeiro vice-presidente Mohammad Reza Aref afirmou: "A República Islâmica do Irã não iniciou esta guerra, mas não hesitará em defender seu povo e sua terra". A resposta iraniana, portanto, se coloca como ato de dissuasão e retaliação num tabuleiro geopolítico onde cada movimento redesenha, de forma invisível, fronteiras de influência.
Do ponto de vista estratégico, estamos diante de uma escalada que combina ataques convencionais e ameaças a infraestruturas civis — uma tática destinada a pressionar economicamente e simbolicamente o adversário. É um movimento decisivo no tabuleiro que testa tanto a resiliência das defesas israelenses quanto os limites da coalizão liderada pelos EUA. A tectônica de poder na região se mostra volátil: decisões nas próximas 48 horas podem transformar rupturas pontuais em um novo patamar de confronto.
Enquanto isso, civis nas áreas afetadas enfrentam danos materiais e psicológicos imediatos, e a comunidade internacional observa, cautelosa, o desenrolar deste episódio que mistura retórica beligerante e ações militares com impacto direto sobre populações e infraestruturas críticas.


