Autópsia aponta esgotamento de ar e afogamento: cinco mergulhadores italianos morreram na caverna de Alimathà, Maldivas
Autópsias confirmam morte por esgotamento de ar e afogamento dos cinco mergulhadores italianos na caverna de Alimathà, Maldivas; resultados toxicológicos aguardados.
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Autópsia aponta esgotamento de ar e afogamento: cinco mergulhadores italianos morreram na caverna de Alimathà, Maldivas
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Por Marco Severini, Espresso Italia — As autópsias realizadas sobre os corpos dos cinco mergulhadores italianos encontrados mortos nas Maldivas apontam para uma conclusão clínica e operacional que redesenha, com crueza, os termos do episódio: a morte ocorreu por esgotamento de ar seguido de afogamento durante a incursão na caverna de Alimathà, no atol de Vaavu.
Os exames post-mortem foram efetuados no hospital de Gallarate por determinação da Procuradoria de Roma. Os nomes das vítimas, que já constam nos laudos iniciais, são: Monica Montefalcone, professora da Universidade de Génova; sua filha, a jovem de 22 anos Giorgia Sommacal; Muriel Oddenino; Federico Gualtieri; e Gianluca Benedetti. Segundo as conclusões preliminares dos médicos legistas, o mecanismo provável do óbito é a anóxia consequente ao término do suprimento respiratório e o subsequente afogamento.
As autópsias que envolveram inicialmente Gualtieri e Benedetti já haviam indicado a mesma linha interpretativa, embora os laudos definitivos dependam ainda dos exames histológicos e toxicológicos, cujos resultados são aguardados. Ontem concluíram-se as autópsias relativas a Monica Montefalcone, Giorgia Sommacal e Muriel Oddenino. As cerimônias de recepção dos restos mortais de Monica e Giorgia foram agendadas para Genova.
Do ponto de vista técnico, o quadro é paradigmático de um fracasso acumulado entre planejamento e execução: os cinco não tinham experiência suficiente para a exploração de uma gruta subaquática em condições de baixa visibilidade, com ingresso por cunículos escuros e sem a colocação de um fio guia — a antiga e ainda essencial "fio de Ariadne" do mergulho em cavernas. Relatórios preliminares indicam que utilizaram botijas de 12 litros, equivalentes a cerca de 2.400 litros de ar, cujo consumo apontaria para uma autonomia teórica de 25 a 30 minutos; desse total, estima-se que 15 minutos foram passados no interior da cavidade, com aproximadamente 7 minutos para entrar e 7 para sair. A curva de risco foi agravada pela ausência de medidas como pontos de referência e planos de descompressão sob a embarcação.
No tabuleiro mais amplo, emergem questões institucionais e de responsabilidade. Advogados que representam a família de Monica Montefalcone já dirigiram críticas à Universidade de Génova por ações internas — entre elas, a remoção de perfis nas redes — sugerindo que instituições podem ter subestimado sinais de risco. A investigação judicial e os exames complementares determinarão se houve negligência, omissão de deveres de segurança ou falha organizacional.
Enquanto a comunidade científica e os peritos aguardam os resultados toxicológicos finais, é necessário ler o episódio como um movimento decisivo no tabuleiro da responsabilidade: um alerta para as fragilidades da prática recreativa em ambientes extremos, e para a necessidade de regras, treinamento e liderança claros. A tectônica de poder entre exploração pessoal, instituições académicas e operadores turísticos volta-se assim a um ponto de inflexão, sobre o qual a verdade forense penderá e as implicações legais e éticas serão definidas.
Segue-se a espera pelos laudos complementares. Até lá, a prudência na avaliação dos fatos permanece o alicerce de qualquer julgamento público.