Corpo da suspeita do atentado em Mônaco é encontrado perto de Kiev; investigação aponta ligação a agente de inteligência

Corpo da suspeita do atentado em Mônaco é achado perto de Kiev; prisões e conexão com inteligência complicam investigação transnacional.

Corpo da suspeita do atentado em Mônaco é encontrado perto de Kiev; investigação aponta ligação a agente de inteligência

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Corpo da suspeita do atentado em Mônaco é encontrado perto de Kiev; investigação aponta ligação a agente de inteligência

Marco Severini — O enigma em torno do atentado que abalou o Principado de Mônaco ganhou hoje um capítulo sombrio: foi encontrado, próximo a Kiev, o corpo de Anastasiia Berezovska, a mulher investigada como suspeita de ter plantado a bomba que feriu o empresário ucraniano Vadym Yermolaev no dia 29 de junho. Fontes ucranianas e reportagem de imprensa indicam que o corpo apresentava sinais de ter sido executado por disparos de arma de fogo.

A trajetória de Berezovska já havia atraído atenção internacional: a mulher, de 34 anos, estava com um mandado de prisão emitido pela Interpol sob a suspeita de ter deixado o artefato explosivo na escadaria do edifício onde vivia a família vítima, no entorno da Place des Moulins, em Montecarlo. Segundo as reconstruções das autoridades monegascas, a autora teria seguido a família, depositado um mochilão com a bomba nos degraus de acesso e acionado o detonador à distância ao confirmar a presença das vítimas.

As informações oficiais apontam que um adolescente de 13 anos foi a primeira pessoa a entrar no prédio e sofreu ferimentos na explosão, que deixou o empresário Vadym Yermolaev entre os atingidos. Yermolaev, que deixou a Ucrânia em 2022 e passou a residir em Mônaco, já havia sido destituído da cidadania ucraniana e se encontra sob sanções do governo de Kiev.

Fontes internas às forças de segurança ucranianas relataram à imprensa que dois suspeitos já foram detidos na Ucrânia — um deles em serviço ativo na Direção-Geral de Inteligência e outro um ex-agente das forças de segurança. As autoridades de Mônaco informaram que, apesar das prisões, ainda não há evidências públicas de participação ativa dos detidos no atentado, o que mantém a investigação aberta e em curso.

Relatos midiáticos franceses acrescentaram que, logo após a explosão, Anastasiia Berezovska teria tentado escapar por via terrestre em direção à Itália, tendo inclusive usado uma disfarce para evitar as checagens imediatas das autoridades locais. A polícia monegasca havia indicado que a suspeita se fez passar por homem em deslocamento pela zona.

Do ponto de vista estratégico, o caso expõe as fraturas e as linhas de tensão na arena externa do Mediterrâneo e do espaço pós-soviético. A execução de um suspeito próximo a Kiev e as prisões de elementos ligados aos serviços de inteligência apontam para um jogo de peças complexo — um movimento decisivo no tabuleiro que envolve atores estatais e paraestatais, redes transnacionais e fluxos de exfiltração. É cedo, porém, para desenhar conclusões sólidas: as investigações precisam elencar provas que conectem operacionais, motivações e o possível mandante.

Em termos práticos, as consequências diplomáticas e jurídicas deste episódio podem redesenhar, ainda que de forma invisível, os contornos da cooperação entre Mônaco, Ucrânia e parceiros europeus em matéria de inteligência e justiça transnacional. Os alicerces da diplomacia regional mostram-se, mais uma vez, frágeis diante de operações que cruzam fronteiras e jurisdições.

Seguirei acompanhando o desenrolar das investigações e o posicionamento oficial das autoridades de Mônaco, da Ucrânia e das instâncias europeias competentes. As próximas etapas — perícias forenses sobre o corpo encontrado, eventual sequência de detenções e a divulgação de provas materiais ligando suspeitos ao ato — serão decisivas para a compreensão completa deste caso.

Marco Severini, Espresso Italia — analista sênior em geopolítica e estratégia internacional.