Ebola na RD Congo: 83% das escolas de Ituri sem proteção mínima; crise exige ação imediata

Relatório da ActionAid mostra 83% das escolas em Ituri sem estações de higiene; 29% registraram casos suspeitos de Ebola. Ação internacional é urgente.

Ebola na RD Congo: 83% das escolas de Ituri sem proteção mínima; crise exige ação imediata

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

Ebola na RD Congo: 83% das escolas de Ituri sem proteção mínima; crise exige ação imediata

Por Marco Severini — A recente avaliação da organização ActionAid na província de Ituri, na República Democrática do Congo, revela um quadro de fragilidade institucional que pode acelerar a propagação do Ebola em ambientes escolares e comunidades já marcadas pelo deslocamento e conflito. Os achados, em termos de infraestrutura e capacitação, soam como um movimento decisivo e perigoso no tabuleiro da saúde pública regional.

Segundo o relatório, 83% das escolas avaliadas não dispõem de estações para lavagem das mãos adaptadas à prevenção do Ebola. Além disso, 81% não têm protocolos de resposta ou de isolamento em prática, e 78% não possuem equipamentos de proteção individual disponíveis para professores ou alunos. A soma desses déficits configura um alicerce frágil da diplomacia sanitária local.

O estudo aponta também que 74% dos professores não receberam qualquer formação específica sobre Ebola, enquanto 67% das escolas não registraram visitas das autoridades de saúde no contexto da atual epidemia. Dado especialmente alarmante: 29% das escolas já identificaram pelo menos um caso suspeito de Ebola ou um contato estreito.

"O que vimos nas 12 comunidades das zonas sanitárias de Nyankunde, Nizi e Bunia é uma situação desesperada, caracterizada por baixos níveis de conhecimento da doença, ausência de infraestruturas de proteção e graves interrupções dos serviços nos centros de saúde e nas escolas", declarou Saani Yakubu, responsável nacional da ActionAid na RD Congo. Sua observação remete à tectônica de poder entre instituições humanitárias, autoridades locais e a comunidade internacional.

Panza, membro do comitê de pais em Nyankunde, descreve a apreensão crescente: "Nossos professores têm medo. Vêm à escola sem nenhuma proteção. Se uma criança chega doente, não sabemos o que fazer. Pedimos ajuda para saber como agir, assim como os instrumentos necessários para proteger nossos filhos". A voz de Panza traduz a insegurança cotidiana que se instala quando faltam tanto orientações quanto materiais básicos.

O relatório chama atenção ainda para a vulnerabilidade desproporcional de mulheres e meninas em áreas já afetadas por deslocamento forçado. 82% das mulheres entrevistadas afirmaram assumir principalmente os cuidados a familiares doentes, expondo-se a riscos de contaminação sem acesso a EPI ou treinamento adequado na gestão de pacientes.

A ActionAid, presente em Ituri desde 2022 com programas de educação em emergências, proteção contra violência de gênero e segurança alimentar, conclama autoridades locais e a comunidade internacional a alocar recursos de forma imediata e coordenada para mitigar a crise. Em termos de estratégia, trata-se de reforçar os pontos críticos do tabuleiro: formação, fornecimento de EPI, estações de higiene e protocolos operacionais bem estabelecidos.

Do ponto de vista geopolítico e humanitário, a falta de intervenção representa não apenas um risco sanitário, mas um redimensionamento invisível de fronteiras de segurança — onde populações vulneráveis pagam o preço da fragilidade estrutural. A resposta exige, portanto, ações rápidas e integradas, com atenção especial às mulheres cuidadoras e às instituições educativas como pontos de contenção e vigilância.