Eleições na Bulgária: filorusso Rumen Radev vence com 45% e assegura maioria parlamentar
Rumen Radev vence eleições na Bulgária com 45% e maioria no Parlamento; Borissov fica em 12%. Foco em combate à corrupção e retoma de diálogo com Moscou.
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Eleições na Bulgária: filorusso Rumen Radev vence com 45% e assegura maioria parlamentar
Por Marco Severini — Em um movimento decisivo no tabuleiro político dos Balcãs, Rumen Radev conquistou a vitória nas eleições legislativas da Bulgária, obtendo 45% dos votos e garantindo uma maioria absoluta de 129 cadeiras em um parlamento de 240 assentos — o melhor resultado do país em 30 anos. A abstenção foi significativa: a participação ficou em 48,5%.
O revés foi contundente para os conservadores liderados por Boiko Borissov, figura central da política búlgara por mais de uma década, agora reduzidos a cerca de 12% dos votos. Borissov, que governou entre 2009 e 2021 e foi visto por críticos como o nó de um poder oligárquico e marcado pela corrupção, sofre uma derrota que redesenha, de forma imediata, o balanço de forças no país.
Ex-oficial da Força Aérea e antigo presidente da República, Radev fundou o novo partido Bulgaria Progressista há apenas um mês — uma ascensão relâmpago que, na linguagem da cartografia do poder, corresponde a um reposicionamento rápido de peças no centro do tabuleiro. O resultado traduz não apenas uma rejeição aos velhos clãs, mas também a esperança por reformas profundas, com a derrota da apatia política sendo celebrada por seu discurso sobre moralidade e renovação.
Em entrevistas à rádio pública, Radev reafirmou sua postura filorussa e eurocética, deixando claro que será reticente em enviar novos apoios militares à Ucrânia. Declarou que "a Europa seria muito mais pragmática se a União Europeia retomasse o diálogo com Moscou", citando interlocuções recentes entre líderes europeus como Emmanuel Macron e o chanceler Merz que defendem negociações para uma nova arquitetura de segurança no continente.
Há poucos dias, Radev havia descrito a Crimeia como "russa", qualificando essa posição como "realista" — um comentário que reforça a diferença de visão entre Sofia e muitos parceiros ocidentais. No centro de seu programa, porém, permanece a promessa de enfrentar a corrupção endêmica: "Esta é uma vitória da moralidade. O povo rejeitou a arrogância dos velhos partidos", disse ele, destacando que o resultado é o início de um processo mais amplo de reconstrução institucional.
Se, no plano interno, Radev assume uma missão de higienização política e reforma administrativa, no plano externo seu triunfo implica em um reposicionamento nas linhas de influência entre União Europeia, OTAN e Rússia — um ajuste fino na tectônica de poder europeia que exigirá dos aliados leitura estratégica e pragmatismo diplomático.
Em termos comparativos regionais, vale observar que a mesma rodada eleitoral trouxe surpresas em outros pontos do continente, mas é na Bulgária que a remodelação do centro de gravidade político parece mais imediata. Radev inicia agora o trabalho de transformar uma vitória rápida em alicerces sólidos de governança — tarefa que exigirá política de Estado além da retórica de campanha.
Esta análise acompanha o desenrolar institucional e geoestratégico das próximas semanas, quando serão testadas as vias de diálogo internacional e a capacidade de Sofia em cumprir as promessas de transparência e combate à corrupção.