EUA e Irã firmam acordo em Versalhes: fim do conflito e promessa sobre Hormuz

EUA e Irã assinam memorando em Versalhes; Teerã aceita diluir urânio e Washington promete suspender sanções. Impactos no Líbano e no Estreito de Hormuz.

EUA e Irã firmam acordo em Versalhes: fim do conflito e promessa sobre Hormuz

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EUA e Irã firmam acordo em Versalhes: fim do conflito e promessa sobre Hormuz

Por Marco Severini — Em um movimento que altera a tectônica de poder no Médio Oriente, os Estados Unidos e o Irã formalizaram um memorando de entendimento que promete encerrar hostilidades e abrir caminho para negociações futuras. O documento, assinado a distância pelos presidentes Donald Trump e Massoud Pezeshkian, prevê que Teerã dilua o seu urânio enriquecido como parte de um processo de verificação e, em contrapartida, Washington suspenderá uma parcela das sanções econômicas.

O protocolo, que abrange também o teatro libanês do conflito, representa o desfecho de uma crise iniciada em 28 de fevereiro por ações conduzidas por Estados Unidos e Israel contra a República Islâmica, confrontos que, segundo relatos, causaram milhares de vítimas, sobretudo no Irã e no Líbano. A assinatura foi anunciada por um porta-voz do ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghai, e confirmada por fontes americanas.

O presidente Trump afirmou ter rubricado o documento enquanto se encontrava na Reggia de Versalhes, na França. Um vídeo divulgado pela Casa Branca e replicado por membros da sua equipe mostra o momento simbólico da assinatura e a entrega do memorando ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. O gesto ocorreu na presença do presidente francês, Emmanuel Macron, cuja reação foi registrada em aplausos: um sinal público de aprovação num palco de alta diplomacia.

Inicialmente, estava prevista uma cerimônia formal de assinatura na Suíça, com a participação do vice-presidente americano JD Vance e do presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf. Com a confirmação da assinatura à distância, essa cerimônia passou a ser considerada desnecessária, segundo relatos oficiais.

Apesar da oficialização do memorando, o cenário retórico permanece tenso. Ghalibaf descreveu o acordo na emissora estatal como uma evidência do “ fracasso dos Estados Unidos” face ao Irã, enquanto o secretário-geral do Hezbollah, Naim Kassem, saudou o resultado como uma “grande vitória” e manifestou que o documento incorpora o reconhecimento do papel do front libanês. Em mensagem televisiva, Kassem encorajou forças alinhadas a aproveitar o momento para tentar expulsar Israel do Líbano.

O Líbano entrou formalmente no surto de hostilidades em 2 de março, quando o Hezbollah lançou foguetes contra alvos israelenses em apoio ao Irã. Desde então, a diplomacia tem tentado, por diferentes vias, estabilizar a região — inclusive por negociações diretas entre Beirute e Jerusalém, iniciadas sob a égide americana no mês de abril, que agora enfrentam novo impasse diante das declarações de atores regionais.

Do ponto de vista estratégico, este acordo funciona como um movimento de xadrez: abre possibilidades de desescalada mas não resolve, de imediato, as fragilidades estruturais das relações entre as potências regionais. A assinatura em Versalhes coloca sobre a mesa um mapa de compromissos que exigirá verificação, garantias e — sobretudo — paciência institucional. O verdadeiro teste será a implementação verificável das medidas de diluição do urânio e a correlata suspensão de sanções, num quadro em que cada passo é observado como se fossem peças deslocadas num tabuleiro com fronteiras ainda por desenhar.