Negociações EUA‑Irã em Islamabad avançam sobre reparações, Hormuz e ativos congelados; Trump afirma passagem de petroleiros, IRGC nega

Negociações EUA‑Irã em Islamabad avançam sobre Hormuz, reparações e ativos congelados; Trump diz que petroleiros passaram, IRGC nega. Análise de Marco Severini.

Negociações EUA‑Irã em Islamabad avançam sobre reparações, Hormuz e ativos congelados; Trump afirma passagem de petroleiros, IRGC nega

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Negociações EUA‑Irã em Islamabad avançam sobre reparações, Hormuz e ativos congelados; Trump afirma passagem de petroleiros, IRGC nega

Por Marco Severini — Em um movimento de alto risco nas arenas da diplomacia, prosseguem em Islamabad as negociações diretas entre Estados Unidos e Irã, mediadas pelo Paquistão. O processo — descrito por fontes como uma fase técnica com especialistas — visa resolver nós estratégicos que remetem à tectônica de poder regional: o pagamento de reparações de guerra, a segurança no Estreito de Hormuz, um cessar‑fogo no Líbano e o descongelamento de ativos iranianos mantidos no exterior.

Se confirmada em toda a sua extensão, esta rodada marca um raro encontro direto entre representantes das duas capitais desde a Revolução Iraniana de 1979 — um movimento que, no tabuleiro diplomático, equivale a um lance capaz de redesenhar fronteiras invisíveis de influência.

Segundo a Casa Branca, a delegação norte‑americana inclui figuras de destaque como o vice‑presidente J.D. Vance, o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner. Do lado iraniano estariam presentes o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, e o vice‑ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, entre outros integrantes — Teerã teria enviado uma comitiva numerosa, relatada por fontes como composta por 71 pessoas.

Os encontros, organizados inicialmente em formato separado com o primeiro‑ministro paquistanês Shehbaz Sharif, evoluíram para sessões técnicas bilaterais. Fontes paquistanesas avaliam que as conversas "estão procedendo bem", embora as divergências sobre pontos cruciais permaneçam. Do lado iraniano, as condições preliminares incluem o desbloqueio de fundos congelados, garantias sobre a segurança marítima no Hormuz, um cessar‑fogo regional — com ênfase no Líbano — e compensações por danos de guerra.

Em outra frente, circularam informações contraditórias sobre a liberação de ativos: Teerã chegou a afirmar que o presidente Donald Trump teria autorizado o desbloqueio de fundos iranianos; Washington negou oficialmente tal interpretação, adicionando uma camada de ruído que pode complicar a confiança entre as partes.

No plano simbólico e militar, o ex‑presidente Trump afirmou publicamente que "nossas petroleiras transitaram pelo Estreito", declaração rapidamente contestada por representantes da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), que negaram a passagem. Estes episódios evidenciam a fragilidade dos alicerces diplomáticos e o papel performativo das mensagens públicas enquanto se trava o diálogo técnico nos bastidores.

Paralelamente, Washington deverá colocar na agenda a possível exigência pela libertação de detidos americanos no Irã — outro troféu sensível no xadrez das negociações. Figuras americanas como J.D. Vance já advertiram que os EUA "não se deixarão enganar" em negociações futuras.

O contexto de Islamabad segue, portanto, como um movimento decisivo no tabuleiro oriental: não se trata apenas de acordos pontuais, mas de redefinições de equilíbrio entre poderes regionais e globais. A presença paquistanesa como mediador adiciona um elemento de arquitetura diplomática tradicional, buscando lançar pontes entre interesses conflitantes sem, contudo, garantir resultados imediatos. Resta acompanhar se as conversações técnicas evoluirão para compromissos firmes — ou se irão ressuscitar antigas rivalidades sob nova roupagem.