Popularidade de Trump cai para 35%; Democratas superam Republicanos na gestão da economia, aponta Reuters/Ipsos
Pesquisa Reuters/Ipsos: aprovação de Trump cai para 35%; Democratas à frente na economia (37% vs 36%). Impactos políticos e geopolíticos analisados.
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Popularidade de Trump cai para 35%; Democratas superam Republicanos na gestão da economia, aponta Reuters/Ipsos
Por Marco Severini — A mais recente sondagem Reuters/Ipsos, realizada entre 29 de julho e 3 de agosto de 2026, revela uma tendência de erosão do apoio popular ao presidente Donald Trump. O índice de aprovação registrado caiu para 35%, retração de dois pontos percentuais em relação aos 37% apurados há cerca de um mês.
Trata‑se de um movimento que, no contexto estratégico mais amplo, sinaliza um enfraquecimento progressivo dos alicerces políticos do Executivo. Em termos simples: a peça mais visível no tabuleiro — o presidente — vê sua capacidade de assegurar consenso diminuir, num momento em que a tectônica do poder internacional e doméstico exige estabilidade.
O levantamento também mostra que 63% dos entrevistados declaram insatisfação com as políticas internas e externas do governo. Em pouco mais de um ano, a aprovação à atuação presidencial perdeu cerca de 12 pontos percentuais em comparação com os primeiros meses do mandato — uma oscilação que traduz desgaste diante de escolhas militares e econômicas do Executivo.
Entre os fatores apontados como determinantes para essa perda de apoio estão a continuidade de uma postura beligerante no Oriente Médio — com menções às tensões com o Irã — e a aliança estreita com o governo de Israel no contexto da guerra em Gaza, episódios que ampliaram pressões sobre preços e expectativas econômico‑sociais nos Estados Unidos.
No terreno estritamente econômico, a sondagem registra uma reviravolta simbólica: pela primeira vez em dez anos, o Partido Democrata é visto por uma fatia maior do eleitorado como o que teria a melhor capacidade de gerir a economia. Segundo a pesquisa, 37% dos eleitores apontam os democratas como preferíveis nessa área, contra 36% que preferem os republicanos; 27% declararam incerteza ou preferência por outra alternativa.
Embora a margem seja estreita, o significado estratégico é claro. Em política, pequenas diferenças no placar podem preceder grandes movimentos: uma vantagem mínima hoje pode ser o prelúdio de reações em cadeia no financiamento de campanhas, em coalizões legislativas e na narrativa pública que molda as eleições de meio de mandato.
Fontes mencionam também o encontro recente entre Trump e o primeiro‑ministro israelense Benjamin Netanyahu, descrito como "positivo e produtivo" e com duração inferior a uma hora. Segundo informações colhidas pela imprensa internacional, os líderes não teriam abordado a possível transferência de aviões F‑35 para a Turquia durante a conversa — detalhe que, numa leitura de geopolítica, indica prioridades distintas na agenda bilateral.
Do ponto de vista demográfico e comunitário, a pesquisa ressalta traços de um redesenho de lealdades: o apoio incondicional a Israel, por décadas um pilar da identidade judaico‑americana, demonstra fissuras geracionais que reverberam na percepção sobre a condução externa do governo americano.
Em suma, o quadro desenhado pelo Reuters/Ipsos aponta para um momento de vulnerabilidade política do presidente, com consequências tangíveis na economia política doméstica e no equilíbrio das forças partidárias. Numa analogia de xadrez, o movimento adverso não é ainda um xeque‑mate, mas altera a posição estratégica das peças no tabuleiro, obrigando recalibrações táticas imediatas.