Ativistas italianos relatam espancamento e humilhação após abordagem da Global Sumud Flotilla

Jornalista e deputado relatam espancamento e humilhação após abordagem israelense à Global Sumud Flotilla. Detalhes do incidente e implicações diplomáticas.

Ativistas italianos relatam espancamento e humilhação após abordagem da Global Sumud Flotilla

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Ativistas italianos relatam espancamento e humilhação após abordagem da Global Sumud Flotilla

Por Marco Severini — Em retorno ao território italiano, desembarcaram esta manhã em Fiumicino o jornalista Alessandro Mantovani, enviado do Il Fatto, e o deputado do M5S Dario Carotenuto, ambos participantes da Global Sumud Flotilla. Os dois estavam entre os cerca de 430 ativistas detidos por forças de Israel após a abordagem do grupo no Mar Mediterrâneo.

Segundo o relato feito a partir de Atenas, onde a delegação fez escala durante a madrugada, Mantovani conseguiu contatar familiares e a redação usando um telefone disponibilizado pela embaixada italiana. Com a calma de quem descreve um movimento no tabuleiro, o jornalista traçou um quadro preciso do que se passou desde o momento do embarque no pesqueiro Kasr-i Salabad até a retenção.

De acordo com Mantovani, as forças israelenses abriram fogo contra a embarcação para forçar os ativistas à proa; logo depois, os detidos foram transferidos para uma corveta e, em seguida, para uma segunda embarcação transformada em prisão temporal. Lá, muitos foram incadeados e alguns despidos. Mantovani relata ter sido deixado apenas de sunga enquanto seus óculos foram arremessados ao mar. Ele descreve espancamentos e pontapés: “Ouvi gritos, vi pessoas com costelas quebradas. Naquela segunda embarcação, entre as cerca de 180 pessoas desembarcadas, quase todos receberam agressões”, afirmou.

Identificados com números — Mantovani recebeu o 164 e Carotenuto o 147 —, os dois foram mantidos ajoelhados no convés antes de serem removidos para uma cela policial no aeroporto Ben Gurion, ainda antes de chegarem ao porto de Ashdod. Foi ali que receberam os primeiros atendimentos proporcionados pela representação diplomática italiana.

Carotenuto, visivelmente abalado, descreveu um soco no rosto que o deixou temporariamente sem visão em um dos olhos e relatou ter ouvido denúncias de violência sexual entre as mulheres presentes. “Estamos muito preocupados com aqueles que ainda permanecem detidos; não sabemos o que estão sofrendo”, disse o parlamentar.

Ambos afirmaram que navegavam em águas internacionais, em rota para o Egito: Mantovani indica que estavam a cerca de 100 milhas de Port Said e 180 milhas de Gaza quando ocorreu a abordagem. Carotenuto acrescentou que foram obrigados a assinar documentos com declarações que consideram falsas.

Imagens filmadas no porto de Ashdod, difundidas amplamente, corroboram o padrão de violência e humilhação descrito pelos dois italianos e por outros participantes. A vice-diretora do Il Fatto, Maddalena Oliva, ressaltou que os relatos confirmam não só a brutalidade já vista nas imagens, mas também episódios de abuso que vêm sendo denunciados por advogados da Global Sumud Flotilla.

Do ponto de vista geopolítico, este episódio representa um movimento decisivo no tabuleiro mediterrâneo: além do impacto humanitário imediato, redesenha — de forma discreta porém significativa — os alicerces das relações entre atores regionais e observadores internacionais. A linguagem da força, usada na abordagem, reconfigura linhas de tensão e coloca novos desafios diplomáticos à capacidade de intermediação europeia e ao papel das embaixadas em proteger cidadãos e garantir o cumprimento de normas.

Enquanto a narrativa oficial segue em contradição com as testemunhas, permanece a necessidade de investigações independentes sobre as alegações de abuso físico e sexual. Para a estabilidade do sistema internacional, é preciso que os atores — como em uma partida de xadrez — antecipem consequências e evitem movimentos que ampliem a instabilidade numa região já marcada por fraturas profundas.