G7 em Évian (15-17/06/2026): encontro decisivo sobre Irã, Estreito de Ormuz, Ucrânia e defesa europeia

G7 em Évian (15-17 jun 2026): líderes discutem Irã, Estreito de Ormuz, Ucrânia, defesa europeia e tensões comerciais com a China.

G7 em Évian (15-17/06/2026): encontro decisivo sobre Irã, Estreito de Ormuz, Ucrânia e defesa europeia

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

G7 em Évian (15-17/06/2026): encontro decisivo sobre Irã, Estreito de Ormuz, Ucrânia e defesa europeia

Évian-les-Bains, 15 de junho de 2026 — Na tarde desta segunda-feira abre-se o palco diplomático do verão europeu: o cimeira do G7, presidido pela França, reúne até quarta-feira os líderes das maiores economias ocidentais nas margens do Lago Léman. Em um cenário fortemente protegido, as delegações desembarcam para debates que prometem redesenhar linhas de influência e determinar movimentos estratégicos no tabuleiro geopolítico.

Um a um chegam os chefes de Estado e governo — da Itália à Alemanha, do Reino Unido ao Canadá, passando pelos Estados Unidos e o Japão. A primeira-dama da diplomacia asiática, a primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi, participou pela manhã de um encontro bilateral com a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni em Villa Pamphilj, reforçando a cadeia de consultas que antecede as decisões coletivas.

O principal item da agenda é o acordo anunciado entre Washington e Teerã, um memorando em quatorze pontos que prevê, entre outros, o cessar-fogo “em todos os fronts, inclusive no Líbano”, a reabertura do Estreito de Ormuz e a liberação escalonada de recursos iranianos — cifras que colocam em jogo não apenas segurança regional, mas também fluxos energéticos globais. A assinatura formal foi indicada para 19 de junho, em solo suíço.

Ao mesmo tempo, o conflito entre Rússia e Ucrânia mantém-se no epicentro das atenções. A recente conversa telefônica entre o presidente Donald Trump e o presidente Volodymyr Zelensky impulsiona o debate sobre continuidade do apoio ocidental a Kiev e sobre a arquitectura de defesa europeia, num momento em que, segundo anúncio americano, haverá um reposicionamento de meios — aeronaves e navios — retirados do continente.

Além desses dois eixos, os líderes deverão enfrentar questões transversais: a reconfiguração das relações comerciais com a China — cuja aproximação diplomática por parte dos EUA nas últimas viagens em Ásia foi notável — e o papel revisitado da NATO frente às novas contingências. Representantes institucionais da União Europeia, como Ursula von der Leyen e o presidente do Conselho Europeu Antonio Costa, acompanham o diálogo em qualidade de interlocutores essenciais.

Permanece, entretanto, o nó delicado dos territórios ocupados e das questões territoriais ligadas a Israel — em especial em Faixa de Gaza, Cisjordânia e zonas de influência no Líbano —, que o memorando entre EUA e Irã não resolve plenamente. Estes pontos deverão figurar como condicionantes nas deliberações do G7, onde se procura conciliar pressões por estabilidade imediata com a construção de soluções de longo prazo.

À semelhança de uma jogada estratégica numa partida de xadrez, a presidência francesa pretende marcar um movimento decisivo: centralizar assuntos geopolíticos, coordenar respostas de defesa e mitigar riscos econômicos. Este encontro é, portanto, mais do que uma conferência de chefes de Estado; é um momento de reposicionamento, em que os alicerces da diplomacia ocidental serão testados e, possivelmente, recalibrados.

À medida que as conversações se desenrolam sobre as margens do Léman, fica claro que o sucesso do G7 dependerá da capacidade de transformar acordos políticos em mecanismos operacionais — desde a fiscalização do cessar-fogo até a gestão do tráfego marítimo em Ormuz — e de articular compromissos transatlânticos numa tectônica de poder que preserve a estabilidade estratégica no curto e médio prazo.

Marco Severini, Espresso Italia — Análise e estratégia internacional.