G7 em Evian: prioridade à reabertura de Hormuz após acordo EUA‑Irã; Ucrânia, IA e tensões com a China dominam debates

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G7 em Evian: prioridade à reabertura de Hormuz após acordo EUA‑Irã; Ucrânia, IA e tensões com a China dominam debates

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G7 em Evian: prioridade à reabertura de Hormuz após acordo EUA‑Irã; Ucrânia, IA e tensões com a China dominam debates

Começa no fim da tarde de hoje, 15 de junho, o encontro do G7 em Evian-les-Bains, na França, com duração prevista até 17 de junho. O tabuleiro diplomático reúne Itália, França, Alemanha, Reino Unido, Estados Unidos, Canadá e Japão para uma agenda que, em termos estratégicos, se organiza em torno de duas frentes bélicas e de uma série de riscos sistêmicos: o acordo recente entre EUA e Irã, com assinatura projetada para 19 de junho na Suíça, e a guerra em Ucrânia.

O aspecto prático do entendimento entre Washington e Teerã traz à tona uma missão central para os chefes de Estado: a reabertura segura do Estreito de Hormuz, tema que o presidente francês Emmanuel Macron qualifica como prioridade. Essa é uma jogada que transcende o marítimo — trata-se de restabelecer corredores de energia e comércio cujo funcionamento atua como alicerce para a estabilidade euro-asiática.

Ao mesmo tempo, a expectativa por um bilateralismo entre Volodymyr Zelensky e o presidente dos Estados Unidos, após uma ligação descrita como "fantástica", permanece no centro das atenções. Zelensky busca, em Evian, ampliar apoio e articular garantias adicionais para a defesa ucraniana. Associados ao encontro do G7 estarão também os líderes do Qatar, dos Emirados Árabes Unidos e da Arábia Saudita — convites que refletem o reconhecido limite da influência exclusiva do bloco sobre crises regionais.

O palácio de reuniões — o denominado "Evian Resort", protegido por rigorosos dispositivos de segurança por terra e ar — será palco de discussões que incluirão defesa coletiva, desigualdades econômicas que alimentam tensões geopolíticas, mecanismos de parceria e solidariedade internacional, além de estratégias para uma crescimento econômico partilhado, equilibrado e sustentável. Não menos importante estará na agenda a inteligência artificial, cujo impacto sobre segurança, economia e regulação é hoje comparável a um redesenho tácito das linhas de influência entre potências.

No plano pessoal e protocolar, a chegada dos participantes já desenha as linhas do encontro: o presidente Donald Trump aterrissou na França, tendo viajado a Genebra antes de seguir a Evian; a comitiva americana incluiu figuras-chave como o secretário de Estado Marco Rubio, o chefe do comércio Howard Lutnick, o titular do Tesouro Scott Bessent, a chefe de gabinete Susie Wiles e o conselheiro econômico Kevin Hassett. Também já se registrou a presença do primeiro-ministro britânico Keir Starmer, enquanto o primeiro escalão de outros parceiros — com chegadas programadas ao longo do dia, entre eles líderes como a premiê italiana Giorgia Meloni e o chanceler alemão Friedrich Merz — irá compor o encontro inicial e, mais tarde, a tradicional jantarada restrita aos chefes do G7.

A manhã seguinte ao início do cume verá o aporte dos convidados adicionais que o bloco entendeu serem necessários para enfrentar crises que extrapolam sua capacidade de resolução unilateral: Índia, Brasil, Coreia do Sul e Egito. Essa ampliação tática visa criar uma frente mais ampla de coordenação, alinhada com a ideia de que soluções duradouras exigem coalizões que reflitam a tectônica de poder contemporânea.

Antes do início formal dos trabalhos, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, advertiu para um dado estrutural inquietante: em 2025 todos os Estados‑membros da União Europeia registraram déficit comercial com a China, totalizando um recorde de 360 bilhões de euros. "Nossa estratégia é clara: de‑risking, não decoupling", disse ela, apontando para a necessidade de fortalecer capacidades produtivas internas e, paralelamente, diversificar cadeias de abastecimento por meio de acordos comerciais. Em termos de diplomacia estratégica, trata‑se de mover peças no tabuleiro para reduzir vulnerabilidades sem cortar laços essenciais.

Ao longo das próximas 48 horas, o encontro em Evian testará a habilidade de seus participantes em transformar acordos pontuais — como o recém‑anunciado entre EUA e Irã — em estruturas operacionais capazes de restaurar fluxos essenciais, estabilizar regiões em conflito e conter as fricções comerciais que redesenham fronteiras invisíveis do poder econômico. A partida está em curso; a eficácia dos lances definirá a próxima fase da arquitetura internacional.